Conflito no Oriente Médio impacta companhias aéreas; passagens podem subir no Brasil

Expectativa de especialistas é de que o preço das passagens domésticas suba entre 5% e 10%
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O conflito Estados Unidos, Israel e Irã provocou turbulência imediata no setor aéreo global na segunda-feira (9). Enquanto as ações de companhias aéreas caíam nos mercados internacionais, os preços das passagens começou a subir diante da disparada do petróleo — principal insumo das operações do setor. Esse movimento acontece porque o Oriente Médio é uma região estratégica para o segmento.

Para se ter uma ideia, companhias como Emirates, Qatar Airways e Etihad transportam, juntas, cerca de um terço dos passageiros que viajam da Europa para a Ásia e mais da metade dos que seguem da Europa para a Austrália e a Oceania.

No Brasil, algumas ações, como a da Gol, caíram na Bolsa brasileira e, ao menos por ora, os preços das passagens ainda não foram impactados. Mas especialistas já calculam que as passagens domésticas podem subir entre 5% e 10% no curto prazo. Em um cenário de agravamento do conflito, a alta poderia chegar a até 20%

Isso porque o querosene de aviação representa entre 30% e 40% dos custos operacionais das companhias aéreas no Brasil. Portanto, as oscilações do preço do petróleo pode impactar fortemente a rentabilidade dessas empresas.

Os preços do petróleo avançaram mais de 15% na véspera, atingindo níveis não vistos desde 2022, após cortes na oferta por parte de grandes produtores e temores de interrupções no transporte marítimo. Em determinado momento, os futuros do Brent chegaram a registrar alta de até 29%. O movimento só começou a arrefecer depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a guerra contra o Irã poderia acabar em breve. Porém, o estrago já estava feito.

Na manhã desta terça-feira (10), os preços do petróleo Brent caíam quase 7%, a cerca de US$ 92 o barril.

A alta do petróleo aumentou a pressão sobre companhias aéreas que já enfrentam restrições operacionais com o fechamento parcial do espaço aéreo no Oriente Médio e a necessidade de redirecionar rotas para evitar áreas de conflito.

Empresas que operam no Brasil

No mercado brasileiro, algumas empresas sentiram o baque. As ações da Gol terminaram a segunda-feira com queda de 0,78%, a R$ 11,43. Já a Latam fechou com alta de 1,44%, a R$ 48,760.

Segundo especialistas, o setor tende a ser particularmente sensível a choques no preço do combustível.

Além do encarecimento do combustível, o setor também enfrenta o impacto do câmbio. A valorização do dólar — típica em momentos de tensão geopolítica — eleva ainda mais os custos operacionais das companhias aéreas brasileiras.

Ontem, no entanto, depois de declarações de que o conflito com o Irã poderia estar perto do fim, os mercados globais subiram e o dólar caiu. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,86%, encerrando o pregão aos 180.915 pontos. Já o dólar à vista caiu 1,52%, a R$ 5,16.

Contudo, até que o fim esteja realmente decretado, oscilações devem acontecer. Nesse cenário, empresas com maior exposição internacional, ou seja, aquelas que operam voos internacionais, são as mais vulneráveis.

Alta das passagens pode reduzir demanda

O aumento dos custos já começa a ser repassado aos consumidores. Em alguns mercados internacionais, as tarifas aéreas registraram saltos expressivos em poucos dias.

Um voo direto entre Seul e Londres operado pela Korean Air, por exemplo, passou de US$ 564 para US$ 4.359 em apenas uma semana, segundo dados do Google Flights.

Os efeitos operacionais da guerra também já são visíveis. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, até 8 de março, mais de 37 mil voos de e para o Oriente Médio foram cancelados, de acordo com dados da consultoria Cirium.

Com o espaço aéreo restrito, companhias aéreas têm sido obrigadas a alterar rotas, transportar combustível adicional ou realizar paradas extras para reabastecimento.

Analistas do Deutsche Bank alertam que, caso os preços do combustível permaneçam elevados por um período prolongado, o impacto pode ser profundo.

 

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