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Nesta quarta-feira (11), logo após o fechamento do mercado financeiro, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central deve anunciar um ajuste maior da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 11,25% ao ano. Diante da escalada do dólar acima dos R$ 6, a dúvida de analistas é saber o tamanho da dose.
As apostas de ajuste para cima da Selic, uma das mais altas taxas do mundo e que baliza todas as demais da economia brasileira, incluindo as dos custos de investimentos e crédito, variam na banda de 0,50 ponto percentual a 1 p.p. Na última reunião, no início de novembro, a alta foi de 0,50 p.p.
O último Boletim Focus do Banco Central, com previsões de analistas do mercado, aponta que a mediana das projeções sinaliza uma Selic a 12% ao ano no encerramento de 2024. Ou seja, se confirmada a expectativa, a alta será de 0,75 p.p.
A reunião do colegiado, que começou ontem e termina hoje, é a última presidida por Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que tem atuado mais como sabotador do Brasil do que um técnico de BC. O mandato dele termina em 31 de dezembro. A partir de janeiro, assume Gabriel Galípolo, atual diretor de Política Monetária que foi indicado ao cargo pelo presidente Lula (PT).
Campos Neto tem usado seu cargo para jogar contra o país, inflamando o mercado com declarações que jogam mais gasolina na fogueira em momentos de turbulência, muitas delas causadas por questões mais externas que internas.
A escalada do dólar, por exemplo, tem mais a ver com questões relacionadas à economia norte-americana do que internas. Afinal, a moeda tem se valorizado frente a outras também, como ocorreu recentemente com o iene e com o euro.
Decisão do Copom de “subir juros é escolha política”, diz André Campedelli

André Campedelli. Crédito: Reprodução ICL Mercado e Investimentos/YouTube
Crítico contundente da atuação de Campos Neto à frente do BC, o economista e coapresentador do ICL Mercado e Investimentos disse na edição de ontem (10) do programa que subir os juros não resolve a questão da inflação.
“[Subir] A Selic não vai conseguir reduzir os boletos, porque isso é preço administrado. A Selic não vai conseguir encher a barragem, não vai reduzir a sua conta de luz, fazer o boi engordar. A Selic não vai conseguir baixar o preço do alface. A Selic reduz os custos do lazer”, disse André.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou ontem que a inflação do país teve alta de 0,39% em novembro, caindo 0,17 ponto percentual (p.p.) em relação ao mês anterior (0,56%). O resultado foi influenciado pelas altas no grupo Alimentação e bebidas (1,55%), após aumento nos preços das carnes (8,02%), no grupo Transportes (0,89%), impulsionado pelo aumento da passagem aérea (22,65%), e no grupo Despesas pessoais (1,43%), influenciado pelo aumento do cigarro (14,91%).
Segundo André, é preciso compreender que algumas inflações são boas, como a do lazer, que subiu 1,42%. “Quando a gente está falando que aumentou o preço do restaurante, a gente está falando que está aumentando a renda do dono do restaurante, estamos falando do pequeno empresário, então é uma coisa boa”, explicou.
Isso porque, segundo ele, o pequeno empresário vai contratar mais trabalhadores, vai fazer girar o comércio. “Existem inflações que são boas porque refletem o aumento na renda das pessoas, uma melhora na vida das pessoas. Quando o combate inflacionário reduz o lazer e os serviços, afetando os salários, é uma escolha política”, completou.
Quando o Copom decide por aumentar ou reduzir a Selic, ele está mirando um horizonte de nove meses a 1,5 ano. Ou seja, o efeito da alta agora é futuro. O colegiado promove ajustes na taxa tendo como foco atingir a meta de inflação.
O centro da meta definido pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para este e para o próximo ano é de 3%, podendo oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Assista ao comentário completo de André Campedelli no vídeo abaixo:
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