Começa nesta terça-feira (17) a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que deve anunciar amanhã a interrupção do ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas.
A decisão do Copom será divulgada após as 18h, nesta quarta-feira (18), e a expectativa majoritária no mercado é de manutenção da taxa, conforme o Boletim Focus do BC mais recente.
Segundo o Itaú, o cenário atual já permite ao Copom encerrar o aperto monetário. “O comitê deve manter a Selic em 14,75% e sinalizar estabilidade por um período prolongado”, diz o banco.
Já o ABC Brasil projeta um último aumento de 0,25 ponto percentual, elevando a taxa para 15%, como reforço à credibilidade anti-inflacionária da autoridade monetária.
Desde setembro do ano passado, o BC elevou os juros para conter a inflação, que segue acima da meta de 3%. Com o novo regime de metas contínuas, em vigor desde o início de 2025, o objetivo é considerado cumprido se o índice oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Inflação é desafio para a decisão do Copom
No entanto, as projeções do mercado para 2025 a 2028 indicam inflação persistentemente acima da meta central, com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) estimado em 5,44% já neste ano.
No entanto, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a inflação oficial do país desacelerou para 0,26% em maio, recuando 0,17 ponto percentual (p.p.) em relação a abril (0,43%). No ano, a inflação acumulada é de 2,75% e, nos últimos 12 meses, de 5,32%.
Apesar da desaceleração econômica, o Copom avalia que o nível elevado de juros ainda é necessário para conter a inércia inflacionária.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, tem defendido a manutenção da Selic em um patamar “mais restritivo” por mais tempo, reforçando o compromisso com o controle de preços.
Entrevista entre Galípolo e Campos Neto
Na semana passada, o BC divulgou uma entrevista entre Galípolo e seu antecessor na presidência da instituição, Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, por ocasião das comemorações dos 60 anos do Banco Central.

Em tom descontraído, Galípolo, indicado por Lula para chefiar o BC até o final de 2028, mostrou afinidade e alinhamento com Campos Neto, e citou as divergências pontuais entre ambos.
“Teve duas reuniões [do Copom] divididas, uma votamos juntos e uma votamos separados. A que votamos separados, a reunião em si foi relativamente rápida. E a maior divergência que eu tive com você foi você tentar me convencer que o Lebron jogava melhor que o Michael Jordan, coisa que eu jamais ia admitir em uma reunião dessa”, disse Galípolo.
Campos Neto, alvo frequente de críticas de membros do governo Lula, afirmou que buscou garantir a continuidade técnica da instituição. “Independente do partido, o Banco Central é técnico. Essa foi a mensagem que quis deixar”, disse.