Amcham: Déficit do Brasil com os EUA salta 500% e desmente carta de Trump

Relatório aponta superávit de US$ 1,7 bilhão dos EUA
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Dados da Amcham Brasil apontam que, de janeiro a junho de 2025, o superávit comercial dos EUA frente ao Brasil atingiu US$ 1,7 bilhão, um salto de cerca de 500% em relação ao mesmo período de 2024. Os dados, publicados no UOL pelo jornalista e também comentarista do ICL Notícias, Jamil Chade, desmentem a carta enviada por Trump ao governo brasileiro dizendo falando da “muito injusta relação comercial gerada pelas tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil”.

Há anos, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é superavitária em favor deles. O próprio presidente Lula lembrou em postagens recentes em redes sociais e, também, em entrevistas, que “as estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos”.

Conforme os dados da coluna de Jamil Chade, a corrente de comércio bilateral cresceu 7,7%, totalizando US$ 41,7 bilhões, o segundo maior patamar da série histórica.

As exportações do Brasil aos EUA subiram 4,4% no período, chegando a cerca de US$ 20 bilhões. Os produtos em destaque foram: carne bovina (+142%), suco de frutas (+74%), café não torrado (+39%) e aeronaves (+12,1%).

Já as importações de produtos norte-americanos cresceram 11,5%, totalizando US$ 21,7 bilhões, o que ampliou o superávit dos EUA.

Tarifas de Trump: setores já sentem efeitos

O relatório identifica queda nas exportações de produtos estratégicos das exportações brasileiras: celulose (-14,9%), motores (-7,6%), máquinas e equipamentos (-23,6%), manufaturados de madeira (-14%) e autopeças (-5,6%).

A influência direta do tarifaço de Trump sobre esses setores é clara, mesmo antes da entrada em vigor das sobretaxas de 50% previstas para 1º de agosto.

A Amcham pede um esforço diplomático urgente entre Brasil e EUA para evitar nova escalada tarifária. Segundo o presidente Abrão Neto, há risco de prejuízos a empregos, investimentos e cadeias produtivas integradas, exigindo diálogo com previsibilidade e racionalidade.

Mudança de foco: aproximação com a China

A escalada tarifária de Trump influencia a política externa brasileira, que busca fortalecer laços com a China.

Dados apontam que as exportações ao gigante asiático superaram as importações em quase US$ 12 bilhões no semestre, marcando saldo positivo robusto para o Brasil.

Porém, embora a China seja parceira importante, ela compra majoritariamente commodities (soja, minério, petróleo).

A reconversão para elevar as vendas de bens industrializados, como os voltados aos EUA, exigirá negociações diplomáticas e esforços para ampliar a pauta de exportações.

A porta-voz chinesa Mao Ning criticou a sobretaxa de 50% como forma de coerção política.
Do lado brasileiro, Lula vê o tarifaço como motivado por interesses políticos americanos, especialmente em defesa de Bolsonaro e pressão sobre o STF. Possível retaliação brasileira envolve áreas sensíveis como patentes e produtos culturais.

 

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