Dólar sobe a R$ 5,19 e Ibovespa fecha quase estável nesta quinta

Petróleo em alta e dívida recorde dos EUA movimentam mercados no dia
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O dólar voltou a subir nesta quinta-feira (20), fechando cotado a R$ 5,193, alta de 0,32% após o recuo do dia anterior. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, chegou a abrir com ganhos de 0,5%, mas perdeu força ao longo do pregão e encerrou em leve estabilidade, com variação de apenas 0,03%, no segundo dia seguido de recuperação após uma sequência de 11 pregões consecutivos de queda.

O petróleo voltou a ser o principal fator de pressão sobre os mercados globais. O barril do tipo Brent fechou em alta pela quinta sessão consecutiva, avançando 2,36% e atingindo a maior cotação em dois meses, puxado pelo aumento da tensão entre Estados Unidos e Irã. O presidente americano anunciou ampliação de sanções econômicas contra o governo, empresas e cidadãos iranianos, movimento que reduz as chances de um acordo entre os dois países e afasta a perspectiva de reabertura do Estreito de Hormuz, rota por onde passava cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo antes do conflito e que segue praticamente bloqueada há semanas.

O avanço do petróleo tem efeito duplo sobre o mercado brasileiro. Por um lado, encarece a inflação global, reduz o espaço para cortes de juros e afasta investidores de setores mais dependentes do consumo interno, como varejo e construção civil. Por outro, beneficia diretamente petroleiras como a Petrobras, que tem peso relevante no Ibovespa e ajudou a segurar o índice contra quedas mais fortes no pregão.

O Ibovespa chegou a abrir com ganhos de 0,5%, mas perdeu força ao longo do pregão e encerrou em leve estabilidade, com variação de apenas 0,03%, no segundo dia seguido de recuperação (Foto: Divulgação B3)

Dívida americana também pesa sobre o humor dos investidores

Outro fator que influenciou o dia foi a confirmação de que a dívida bruta do governo dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, alimentando preocupações sobre o custo de financiamento da maior economia do mundo e possíveis efeitos sobre os juros globais. Em resposta ao aumento de estresse na renda fixa internacional, o Tesouro americano anunciou que vai dobrar as operações de recompra de títulos de longo prazo, de 10 a 30 anos, para US$ 4 bilhões por operação, medida que busca garantir liquidez nesse segmento do mercado.

Do lado dos dados econômicos americanos, os pedidos de auxílio-desemprego recuaram na semana encerrada em 15 de agosto, para 206 mil, abaixo do esperado por analistas, reforçando a leitura de que o mercado de trabalho dos Estados Unidos segue aquecido apesar dos juros elevados.

Real segue pressionado por fatores internos

O cenário doméstico também contribui para a desvalorização do real, com o mercado apontando maior volatilidade de curto prazo, possibilidade de menor diferença entre os juros brasileiros e americanos ao longo do próximo ano, saída de capital estrangeiro de curto prazo e a proximidade das eleições presidenciais como fatores que têm afastado a moeda brasileira do comportamento de moedas de outros países emergentes.

Destaques corporativos

A Petrobras anunciou a ampliação de acordos com a PetroReconcavo, a Brava Energia e a Origem Energia para garantir o processamento de gás natural na Unidade de Tratamento de Gás Natural de Catu, na Bahia, dando mais previsibilidade ao setor. As ações da estatal fecharam em alta pela sexta sessão seguida.

O Banco do Brasil aprovou o pagamento de R$ 197 milhões em juros sobre capital próprio a acionistas, previsto para 11 de setembro. Já o Santander Brasil anunciou uma captação de R$ 600,3 milhões em letras financeiras com vencimento em dez anos.

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