O economista e fundador do ICL (Instituto Conhecimento Liberta), Eduardo Moreira, comentou na edição de quinta-feira (28) do ICL Notícias 2ª edição, que a megaoperação da Polícia Federal “não traz novidades para quem acompanha o mercado financeiro”.
A megaoperação desbaratou um gigantesco esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de gasolina, fintechs e estruturas financeiras ligadas à Faria Lima, envolvendo o grupo criminoso PCC (Primeiro Comando da Capital).
De acordo com Moreira, o uso de postos de gasolina nesse tipo de esquema tampouco é novidade. “Há dois anos eu subo aqui e falo… todo mundo sabia que aquilo era para lavar dinheiro. Preço no cartão R$ 7, no Pix R$ 5 — óbvio! O custo do cartão nunca justificaria essa diferença.”
Ele lembra que setores como estacionamento, farmácias e até igrejas também são frequentemente utilizados como canais para esquentar dinheiro de origem criminosa.
Outro ponto levantado por ele foi a participação das fintechs no esquema: “A turma toda da direita, desesperada com a história de colocar as fintechs no Pix… quem está envolvido? As fintechs.”
Eduardo Moreira explica como circula o dinheiro sujo no mercado financeiro
Segundo Moreira, o dinheiro sujo é injetado via fintechs, circula em empresas e fundos de investimentos — muitas vezes vinculados a bancos tradicionais — e, por fim, pode até ser convertido em criptomoedas para desaparecer completamente dos radares. “Você vai dando camadas de legitimidade para uma coisa criminosa.”
Ele também apontou considerar hipocrisia e seletividade da mídia e das autoridades ao tratarem da operação — que, segundo ele, revela um mecanismo há muito conhecido por quem acompanha os bastidores do mercado financeiro.
“O [site] Metrópoles deu matérias importantes em primeira mão, mas à tarde já vinha dizendo que por causa da pesquisa do Tarcísio [de Freitas, governador bolsonarista de São Paulo], a Bolsa subiu… quase como uma boia de salvação. O negócio é grave, a água subiu para o Tarcísio.”
Segundo ele, há uma tentativa de suavizar os impactos políticos sobre o governador de São Paulo.
Ele ainda apontou que os envolvidos do “andar de cima” têm tratamento brando, enquanto operações em áreas pobres resultam em violência e execuções.
“Sumiço” do dinheiro e blindagem de poderosos
O esquema, segundo Moreira, é complexo e eficaz: “Você faz uma empresa que é dona de outra, de outra, de outra, até chegar em uma lá fora. Você nunca consegue chegar no dono final.”
Apesar da gravidade da operação, ele ainda chamou a atenção para outro setor que, segundo ele, ainda precisa ser enfrentado: “A gente sabe porque tem 170.000 igrejas no Brasil. Qualquer valor pode entrar como dízimo. Não paga imposto. Mas se mexe nisso, dizem que é contra a liberdade religiosa”.
PL da blindagem
Moreira também levantou uma coincidência incômoda: na véspera da megaoperação, deputados tentaram aprovar um projeto para impedir investigações contra parlamentares sem aval do Congresso.
“Se isso é coincidência, meu irmão… aí eu não sei mais.”
Veja o comentário completo de Eduardo Moreira no vídeo abaixo: