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O varejo de alimentos faturou mais graças ao maior poder de compra dos brasileiros. É o que mostra pesquisa realizada pela consultoria Scanntech a pedido da CNN.

O estudo mostra que a alta dos preços dos alimentos desacelerou para 5,8% nos 12 meses encerrados janeiro de 2025, enquanto até dezembro a variação teve um avanço de 7,6%.

Esse efeito levou o varejo a ter um incremento de 6,6% no seu faturamento, com ganho principalmente no número de itens comprados, que foram de um declínio de 0,7% para um avanço de 0,8%.

A pesquisa da Scanntech foi feita com base na coleta dos valores das transações nos caixas dos supermercados, ou seja, levou em conta os gastos dos consumidores.

Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech, disse à CNN que “quanto mais aceleram os preços, mais desaceleram as unidades, porque o poder de compra do consumidor não consegue mais levar a mesma quantidade de produtos para casa”.

Nesta quinta-feira (13), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que as vendas do comércio varejista fecharam 2024 com alta de 4,7%, o maior crescimento desde 2012 (8,4%). Em dezembro de 2024, frente a novembro, as vendas no comércio no país variaram negativamente 0,1%, resultado considerado estabilidade. Já a média móvel trimestral mostrou variação nula (0,0%) no trimestre finalizado em dezembro.

A expansão registrada no ano passado levou a série do índice de base fixa do volume com ajuste sazonal a novos níveis recordes sucessivos, o que não acontecia desde 2020, atingindo o patamar máximo em outubro.

Queda de inflação em algumas categorias ajudaram o varejo

Apesar de a inflação dos alimentos ter se tornado uma preocupação para o governo Lula (PT), a diretora de marketing da Scanntech pontuou que a redução dos preços em algumas categorias ajudaram a reduzir o impacto no indicador.

“A diminuição da taxa de inflação, efetivamente, em algumas categorias, conseguem dar fôlego para o consumidor. A gente via esses preços ganhando força mais rápido, até que em janeiro, pela primeira vez, a gente consegue observar a desaceleração”, disse.

Esse balizamento dos preços ajudou o varejo a ter um crescimento mais saudável, segundo ela, com menos repasse de preços e mais consumo.

Ela também pontuou que a valorização do real frente ao dólar neste início de ano contribuiu para o resultado.

“Todos os produtos que compõem a cesta básica, além de todas as proteínas, acabam sendo ‘commoditizadas’ e indexadas ao dólar”, explicou Ariani.

A inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou em janeiro a 0,16%, com ajuda das tarifas de energia que estavam mais baratas. Esse foi o menor IPCA para um mês de janeiro desde a implantação do Plano Real, em 1994.

A alta dos preços medidos pelo IPCA foi puxada pelos grupos Transportes, com alta de 1,30% e do grupo Alimentação e Bebidas, que subiu 0,96%. Ou seja, o indicador do IBGE mostra que os alimentos seguem pressionando.

 

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