A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) saiu em defesa do Pix nesta sexta-feira (18), após o sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central ser citado em uma investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil.
No relatório preliminar da apuração liderada pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), o Pix é citado como exemplo de possível favorecimento a soluções domésticas em detrimento de empresas estrangeiras do setor de pagamentos. A acusação provocou reações no governo brasileiro e em representantes do setor financeiro.
Em nota oficial, a Febraban rebateu a crítica, classificando o Pix como “infraestrutura pública de pagamento, e não um produto comercial”.
A entidade argumenta que o modelo promove a concorrência e está aberto a todos os participantes do sistema financeiro nacional, incluindo bancos estrangeiros, fintechs e instituições internacionais que operem no Brasil — o que é considerado uma exigência natural, dado que o sistema opera com a moeda local, o real.
“Acreditamos que a observação feita pelo USTR deve-se mais a uma informação incompleta acerca dos objetivos e funcionamento do Pix”, afirma a Febraban.
A entidade também expressou confiança de que os esclarecimentos do Banco Central e dos próprios bancos — inclusive norte-americanos — ajudarão a desmistificar a questão.
Pix: 168 milhões de usuários
A defesa da Febraban também veio acompanhada de números robustos que demonstram o alcance do sistema: 168 milhões de usuários, dos quais mais de 70 milhões foram digitalizados diretamente pelo Pix. O sistema movimenta atualmente cerca de R$ 2,5 trilhões por mês, com uma média de 6,5 bilhões de transações mensais.
Em 2024, o Pix encerrou o ano de 2024 com 63,8 bilhões de transações, um crescimento de 52% ante os 41,9 bilhões em 2023, e mais uma vez se tornou o meio de pagamento mais usado no país em um levantamento anual. As transações do Pix superaram as de cartão de crédito, débito, boleto, TED, cartão pré-pago e cheques no Brasil, as quais, juntas, totalizaram 50,8 bilhões, segundo a Febraban.
A entidade ainda destacou o caráter inclusivo da ferramenta, que é gratuita para pessoas físicas e utilizada tanto por brasileiros quanto por estrangeiros residentes no país. Segundo a Febraban, empresas — nacionais ou estrangeiras — podem ser tarifadas, mas sem distinção quanto à origem.
Durante um evento na Bahia, o presidente Lula (PT) também reagiu à investigação norte-americana. Segundo ele, o Pix “incomoda” o ex-presidente Donald Trump porque ameaça o domínio das operadoras de cartão de crédito.
“O Pix vai acabar com o cartão de crédito nesse país. Por isso ele está incomodado”, declarou Lula. O presidente também criticou a intromissão americana: “É uma coisa do Brasil, não tem por que ele ficar dando palpite nisso”.
Nos bastidores, integrantes do governo e aliados avaliam que a movimentação do USTR está sendo influenciada por lobby de empresas de cartões e big techs que temem perder espaço no mercado brasileiro. A ofensiva acende um alerta sobre os interesses geopolíticos que se cruzam com a transformação digital dos meios de pagamento.