Futuros recuam após recordes, enquanto mercado precifica corte de juros nos EUA

No Brasil, o foco desta sexta-feira (12) se volta à divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços de julho pelo IBGE
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Após uma semana de recordes nas bolsas americanas, os índices futuros dos Estados Unidos operam em leve baixa nesta sexta-feira (12), sinalizando pausa na euforia dos mercados, como visto na véspera. O movimento segue a realização de lucros, enquanto investidores digerem dados econômicos e apostam majoritariamente (92,5%) em um corte de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense) na próxima reunião, segundo o CME FedWatch.

Na Europa, o índice Stoxx 600 registra pouca variação, refletindo a mesma cautela. A Ásia destoou, com o índice MSCI regional se aproximando de uma máxima histórica após o rali em Wall Street.

Nos mercados de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries voltaram a subir levemente, enquanto o dólar caminha para sua maior queda semanal em um mês. O ouro superou os US$ 1.650 por onça, impulsionado pelo cenário de juros mais baixos.

A inesperada queda de 0,1% no PPI (inflação ao produtor) de agosto nos EUA reforçou a tese de inflação sob controle, em meio a um mercado de trabalho ainda apertado — combinação que sustenta as apostas por afrouxamento monetário.

No Brasil, hoje o foco se volta à divulgação da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) de julho pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que ajudará a compor o retrato do PIB (Produto Interno Bruto).

Ainda hoje, os agentes devem repercutir a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Nos EUA, destaque para a divulgação da confiança do consumidor de setembro e do relatório Wasde, que pode influenciar commodities, câmbio e ações de exportadoras.

Brasil

O Ibovespa renovou na quinta-feira (11) sua máxima histórica intradiária ao ultrapassar os 144 mil pontos, sustentado pela crescente expectativa de cortes nos juros dos Estados Unidos. No fechamento, o índice avançou 0,56%, aos 143.150 pontos — alta de 0,36% na semana e 1,22% em setembro. No acumulado de 2025, a valorização já chega a 19%.

O dólar também refletiu o movimento e recuou 0,27%, cotado a R$ 5,39. A moeda acumula queda de 0,55% em setembro e de 12,75% no ano.

A queda nas taxas dos Treasuries, combinada com a sinalização de um ciclo de afrouxamento monetário pelo Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense), favoreceu o apetite global por risco e abriu espaço para o Banco Central brasileiro antecipar a discussão sobre redução da taxa Selic.

Europa

As ações europeias operavam mistas na manhã desta sexta-feira, com o índice Stoxx 600 em leve alta. Dados mostraram que a economia do Reino Unido estagnou em julho, após crescimento de 0,4% em junho. A estagnação reforça as expectativas para a decisão do Banco da Inglaterra sobre política monetária na próxima semana. Setores e bolsas não exibiam consenso claro nos movimentos.

STOXX 600: +0,21%
DAX (Alemanha):-0,29%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,25%
CAC 40 (França): -0,56%
FTSE MIB (Itália): -0,35%

Estados Unidos

Os futuros dos EUA operam estáveis nesta manhã. Na véspera, os índices registraram fortes ganhos, com o Dow Jones subindo mais de 600 pontos e fechando acima de 46.000 pela primeira vez. O S&P 500 avançou 0,9% e o Nasdaq, 0,7%, ambos atingindo recordes históricos. O otimismo refletiu a forte performance das grandes empresas e do setor de tecnologia.

Dow Jones Futuro: -0,21%
S&P 500 Futuro: -0,18%
Nasdaq Futuro: -0,09%

Ásia

Os mercados asiáticos fecharam majoritariamente em alta, acompanhando Wall Street. As ações da SK Hynix, segunda maior empresa de semicondutores da Coreia do Sul e sexta maior do mundo, subiram mais de 7% após anunciar a conclusão do desenvolvimento do chip HBM4, essencial para aplicações em inteligência artificial. Alibaba e Baidu também dispararam em Hong Kong, impulsionadas pelo uso de chips próprios no treinamento de modelos de IA. Ambas buscam reduzir a dependência da Nvidia.

Shanghai SE (China), -0,12%
Nikkei (Japão): +0,89%
Hang Seng Index (Hong Kong): +1,16%
Nifty 50 (Índia): +0,45%
ASX 200 (Austrália): +0,68%

Petróleo

Os preços do petróleo seguem recuando após fechamento com queda de cerca de 2% na quinta-feira, uma vez que as preocupações com a possível redução da demanda dos Estados Unidos e o amplo excesso de oferta compensaram as ameaças à produção decorrentes do conflito no Oriente Médio e da guerra na Ucrânia.

Petróleo WTI, -0,19%, a US$ 62,25 o barril
Petróleo Brent, -0,09%, a US$ 66,32 o barril

Agenda

Nos EUA, serão divulgados dados da confiança do consumidor de setembro e o relatório Wasde.

Por aqui, no Brasil, o Ministério da Fazenda projeta que o tarifaço de Trump pode levar à perda de até 65 mil empregos no Brasil até dezembro de 2026, principalmente na indústria. Sem as medidas do governo, a estimativa chegaria a 138 mil postos, mas o plano “Brasil Soberano” deve reduzir os efeitos. O impacto sobre o PIB será pequeno, cerca de 0,1 ponto percentual, sem pressionar a inflação, graças às políticas de socorro e diversificação exportadora.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg

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