Fux dá 15 dias para governo Lula, Banco Central e FGC se manifestarem sobre socorro ao BRB

Governo do Distrito Federal pressiona União para ser fiadora de empréstimo de até R$ 6,6 bi para salvar banco
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(Folhapress) – O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux deu um prazo de 15 dias para manifestação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do Banco Central e do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) sobre o pedido feito pelo Governo do Distrito Federal para que a União seja fiadora de um empréstimo para socorrer o BRB (Banco de Brasília).

A instituição está em dificuldades financeiras após o rombo deixado pelas operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e a gestão de Celina Leão (PP) busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o FGC para capitalizar o BRB.

No despacho, publicado na quarta-feira (9), Fux cita “a complexidade e as peculiaridades envolvidas na demanda”. A ação foi apresentada pelo governo do Distrito Federal na semana passada em uma nova tentativa de pressionar a União para viabilizar a operação de captação com o FGC, que segue travada.

O ministro do STF também argumenta que depois dessa etapa, que considera prazo sucessivo de 15 dias, o parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República) poderá ser emitido.

BRB Banco de Brasília
Fux deu um prazo de 15 dias para manifestação do governo, do BC e do FGC sobre o pedido feito pelo Governo do Distrito Federal para que a União seja fiadora de um empréstimo para socorrer o BRB (Foto: Reprodução)

Em maio, foi firmado um acordo no Supremo definindo que as principais instituições financeiras do país seriam fiadoras da operação, e as contragarantias (para ressarcir os bancos em caso de inadimplência) viriam dos recursos provenientes do FPE (Fundo de Participação dos Estados) e do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

Esse desenho, porém, não avançou. Um dos argumentos apresentados pelo FGC é que o BRB ainda não apresentou nenhum relatório operacional, como as demonstrações dos resultados de 2025 e do primeiro semestre deste ano, sobre a situação da instituição financeira desde que veio à tona o escândalo do Master.

O Ministério da Fazenda já declarou reiteradas vezes que não pretende dar garantia soberana ao empréstimo para socorrer o BRB. O Distrito Federal não faz jus a essa concessão pelos critérios do Tesouro Nacional. A Capag (capacidade de pagamento) serve como um termômetro da saúde das finanças de estados e municípios. A escala vai de A (melhor) a D (pior). Hoje, a nota do Distrito Federal é C.

No acordo preliminar firmado no STF, a União concordou em ampliar o limite de crédito do Distrito Federal para viabilizar o plano. Até aquele momento, a gestão distrital esbarrava no teto de cerca de R$ 900 milhões do PAF (Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal).

Estados que têm dívidas da União precisam seguir as regras do PAF, que indica, entre outros pontos, o espaço que o ente tem para contratar novas operações de crédito (com ou sem garantia da União) de acordo com sua situação financeira.

No fim de agosto, Fux prorrogou por 90 dias um contrato do BRB com o TJ-BA (Tribunal de Justiça da Bahia), que garante R$ 394 milhões mensais no caixa da instituição financeira, que passa por uma crise de liquidez e patrimonial.

Além do TJ-BA, o BRB tem hoje sob a sua gestão cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais dos tribunais de Justiça do DF, da Paraíba, de Alagoas e do Maranhão.

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