‘Galípolo salvou o Lula’, diz Tales Faria sobre reunião do presidente com Vorcaro

Comentário do jornalista detalha encontro fora da agenda entre Lula e ex-dono do Banco Master
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O jornalista Tales Faria, comentarista do ICL Notícias 1ª edição, analisou nesta terça-feira (27) um encontro fora da agenda oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo Faria, a reunião ganhou relevância estratégica devido à atuação de Gabriel Galípolo, então futuro presidente do Banco Central (BC), que impediu que Vorcaro obtivesse benefícios indevidos. As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal Metrópoles.

O encontro teria sido articulado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que intermediou a aproximação com o chefe do gabinete pessoal do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola). Mantega chegou acompanhado de Vorcaro e do ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima, e todos foram recebidos por Lula.

Mantega, contratado como consultor do Master, atuava na tentativa de vender a instituição ao Banco de Brasília (BRB), operação que acabou barrada pelo Banco Central em setembro de 2025. Durante a reunião, Lula teria ouvido relatos de Vorcaro sobre a situação operacional do banco, mas, segundo Faria, destacou que as questões eram técnicas e deveriam ser tratadas pelo Banco Central.

Em novembro de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master, meses após a tentativa de venda, enquanto a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras da instituição.

Riscos de uma delação premiada

Faria também abordou os possíveis impactos de uma eventual delação premiada de Vorcaro. “Está na cara que o Daniel Vorcaro está tentando fazer uma delação premiada. Ele já mandou, inclusive para a PGR [Procuradoria-Geral da República], a sua proposta de delação, quais benefícios ele gostaria de ter numa possível delação premiada. O que o Vorcaro vai fazer numa delação premiada: vai tentar proteger os seus e culpar os que não são seus”, disse.

“O problema que vamos ter é que o ministro que cuida do caso do Vorcaro [Dias Toffoli] não é o Alexandre de Moraes. Então, essa delação do Vorcaro é perigosa, porque ele pode vir atirando nos inimigos e tentando proteger os amigos”, pontuou.

Segundo o comentarista, a reunião de dezembro de 2024 com Lula poderia ser mencionada na delação. “Ocorre que ele teve um encontro com o Lula em dezembro de 2024. Se tiver uma delação premiada é evidente que ele vai chegar e dizer ‘olha, eu tive com o Lula em 2024…’ Essa notícia poderia surpreender e sair a versão de que [ele] se acertou com o presidente da República.”

Papel decisivo de Gabriel Galípolo

A presença de Galípolo no encontro teria sido crucial para impedir benefícios ao ex-banqueiro. “Qual a vantagem do Galípolo estar presente [na reunião]? É que o Galípolo virou depois presidente do Banco Central e liquidou o Banco Master. Não só liquidou como também proibiu a negociação do Banco Master com o Banco Regional de Brasília (BRB). Ou seja, não saiu daquele encontro os principais benefícios que poderia ter no Banco Master”, disse Faria.

A versão veiculada pela imprensa é de que, no encontro, Lula teria dito que a questão do Master era técnica, portanto, da alçada do Banco Central. “Foi resolvido pelo Banco Central e [Banco Master] dançou”, frisou Faria.

O jornalista Chico Pinheiro, que também comentou o caso, destacou a possibilidade do uso político da reunião pela extrema direita. “‘Tá vendo? O Lula se encontrou fora da agenda com o Vorcaro’. O Galípolo já havia sido indicado para o Banco Central, ainda não havia tomado posse, mas a expectativa certamente do Vorcaro quando chegou para esse encontro — lamentavelmente fora da agenda, pois não tinha o que esconder — para pedir ‘dá um jeito de me salvar aí’. Mas não deu certo – o banco foi liquidado.”

Veja o comentário completo no vídeo abaixo:

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.