ouça este conteúdo
|
readme
|
O governo do presidente Lula (PT) prepara ajustes no Orçamento de 2025, e já prevê a necessidade de realocar R$ 13 bilhões no projeto relativos a pressões das despesas públicas, economias previstas no pacote de contenção de gastos e indicadores econômicos. A proposta de lei orçamentária deveria ter sido votado pelo Congresso no fim do ano passado, mas houve atraso devido à agenda econômica, como o pacote fiscal.
Segundo informações do jornal O Globo, a solução exigirá cortes em despesas discricionárias, como investimentos e custeio da máquina pública.
Os R$ 13 bilhões, no entanto, não consideram nenhum ajuste para colocar o Pé-de-Meia no do Orçamento de 2025. Nesta quarta-feira (12), o plenário do TCU (Tribunal de Contas da União) deu 120 dias para que o governo envie ao Congresso um projeto para adequar o gasto com o programa às leis orçamentárias — hoje ele é pago por meio de fundos fora dos limites de gastos do arcabouço fiscal (regra fiscal que limita o crescimento de despesas).
Há dois caminhos para incluir no Orçamento de 2025 o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro-educacional voltado a estudantes matriculados no ensino médio público beneficiários do CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal): fazer ajustes na proposta orçamentária em tramitação no Congresso ou enviar um novo projeto de lei ao longo do ano. O impacto do programa é estimado em R$ 10 bilhões.
Até que se encontre um caminho para o programa via Congresso, o Pé-de-Meia continuará a ser pago com os recursos dos fundos.
Orçamento de 2025: governo terá de incluir R$ 3 bi relativos ao Auxílio Gás
Além de buscar uma solução ao Pé-de-Meia, o governo também terá de fazer ajustes no Orçamento para acomodar as seguintes despesas:
- Auxílio Gás: terá de haver um complemento para pagamento do programa, em um total de R$ 3 bilhões. No ano passado, o governo pretendia deixar os gastos com o programa fora do Orçamento. A ideia era que fosse pago com recursos repassados à Caixa, operadora do programa, além de receitas do pré-sal que o governo abriria mão. Por isso, só foram previstos R$ 600 milhões no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual), que agora serão complementados em R$ 3 bilhões.
- Despesas obrigatórias indexadas ao salário mínimo: o governo também precisará fazer ajustes nesse sentido para os benefícios previdenciários, abono salarial, seguro-desemprego e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). O PLOA foi enviado originalmente com uma previsão de mínimo de R$ 1.509 em 2025, mas o valor final ficou em R$ 1.518, após as mudanças promovidas no pacote de contenção de gastos e o resultado do INPC até novembro.
- Emendas parlamentares: será necessário acomodar R$ 4,2 bilhões das verbas parlamentares que não foram pagas no ano passado devido às decisões do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio Dino. Além disso, a lei que alterou as regras de pagamento das emendas estabeleceu um montante de cerca de R$ 11 bilhões em emendas de comissão para 2025. No PLOA, só havia a previsão de R$ 39 bilhões para emendas impositivas (individuais e de bancada).
Espaço aberto
Será preciso também atualizar as contas com os espaços abertos pelo pacote de contenção de gastos e pelos indicadores econômicos, como câmbio e inflação.
O resultado final da inflação (IPCA), em 2024, abriu espaço extra de R$ 12,4 bilhões no limite de despesas do arcabouço fiscal.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo calcula uma economia de cerca de R$ 30 bilhões este ano, decorrente das medidas do pacote de contenção de gastos aprovado no fim do ano passado. As principais contribuições devem vir das mudanças relativas ao Fundeb e na Desvinculação das Receitas da União (DRU).
Desse total, R$ 15 bilhões seriam usados para realocar as despesas no Orçamento e o restante sobraria para acomodar pressões ao longo do ano.
Por outro lado, já há um acerto de não trabalhar com gordura para cumprir a meta fiscal deste ano, de resultado zero. No ano passado, o déficit primário para fins de contabilidade da meta foi de R$ 11 bilhões. Ou seja, a determinação agora é mirar o centro da meta, ou seja, o zero.
Relacionados
Nova faixa do Minha Casa Minha Vida inclui famílias com renda de até R$ 12 mil
Decreto foi assinado por Lula; disponibilidade dos contratos ainda não foram divulgadas
Lula sanciona lei que garante reconstrução dentária para mulheres vítimas de violência
Para ter acesso ao programa, as mulheres precisam apresentar documentos que comprovem a situação de violência
Lula assina decreto que antecipa 13º salário dos aposentados para abril e maio
Pelo cronograma tradicional, os valores seriam depositados somente no segundo semestre