Milei perde 314 mil empregos formais e enfrenta crise antes da reeleição

Indústria e construção lideram demissões, enquanto cresce a informalidade entre argentinos
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O governo de Javier Milei enfrenta uma crise no mercado de trabalho argentino que se tornou a principal ameaça à sua tentativa de reeleição no próximo ano. O emprego formal, aquele com carteira assinada, salário fixo, benefícios e assistência médica, vem encolhendo de forma consistente desde que o presidente assumiu o cargo.

Desde o início do governo, cerca de 314 mil argentinos perderam o emprego, sendo 241 mil em postos de trabalho com carteira assinada no setor privado, e 73 mil em cargos no funcionalismo público. O número de empresas formalmente registradas no país caiu para 482 mil, o menor patamar desde 2007. Apenas uma província do país registrou abertura líquida de empresas durante a gestão Milei, sinal de que trabalhadores não conseguem migrar de setores em crise para outros em expansão.

Indústria e construção civil

Indústria e construção lideraram as demissões no mercado formal, atingidas diretamente pelos cortes de gastos públicos do governo, que reduziram investimentos em obras e elevaram tarifas de serviços básicos.

Ao mesmo tempo, cresceu o número de argentinos recorrendo a aplicativos de entrega, transporte e trabalhos informais em restaurantes para tentar fechar as contas. Até setores considerados mais competitivos da economia, como petróleo, mineração e tecnologia, tiveram contratações em queda ou estagnadas no período.

Fotografia do presidente argentino Javier Milei com expressão reflexiva durante uma conferência internacional. No contexto da inclusão da Argentina na lista dos dez piores países para os direitos trabalhistas pela CSI, a imagem ilustra o período de severa deterioração socioeconômica e as reformas de flexibilização laboral promovidas pelo governo atual, que rebaixaram o país para a categoria mais baixa do Índice Global dos Direitos.
Milei enfrenta crise de popularidade e de empregos na Argentina (Foto: Reprodução)

Informalidade como último recurso

A taxa de desemprego na economia formal argentina subiu para 7,8%, mas o dado real de precarização é ainda maior: a informalidade já representa 44% da força de trabalho do país. Trabalhadores de diferentes níveis de renda e escolaridade têm sido empurrados para essa condição, vista por especialistas como último recurso diante da falta de vagas formais, e não como escolha.

Programas de capacitação profissional para ofícios como carpintaria e eletricidade registraram alta de cerca de 40% nas inscrições em relação ao ano anterior, reflexo direto da dificuldade crescente de trabalhadores argentinos em encontrar emprego suficiente para sobreviver.

Popularidade cai

Pesquisas de opinião mostram que o desemprego já superou a preocupação com a inflação entre os eleitores argentinos, no momento em que a aprovação de Milei, de 37%, está próxima do menor nível de todo o seu mandato.

Parte da destruição de empregos é resultado direto das políticas do governo: a valorização artificial da moeda argentina, somada a controles cambiais ainda em vigor, encareceu serviços internos e pressionou indústrias locais frente à concorrência estrangeira.

Os salários do setor privado, embora tenham dobrado em valor de dólar, também levaram empresas a considerar transferir contratações para outros países com custos trabalhistas menores, reduzindo ainda mais as oportunidades para trabalhadores argentinos, especialmente os que buscam o primeiro emprego.

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