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Por Marcos Hermanson

(Folhapress) – A equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não discute mexer na regra de aumento real do salário mínimo ou desvincular os benefícios previdenciários em um eventual quarto mandato, afirmou nesta quinta-feira (8) o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

“Nós não estamos discutindo essa vinculação, esse aumento real do salário mínimo”, afirmou o ministro durante entrevista ao canal de TV à cabo GloboNews.

“Há uma série de cenários que devem ser discutidos com o presidente assim que a gente passar o período eleitoral, porque os desafios seguem existindo mesmo agora, seja na relação internacional, seja nas medidas concretas que têm que ser endereçadas para frente”, respondeu quando questionado especificamente sobre a vinculação das aposentadorias.

Hoje o salário mínimo cresce anualmente a uma taxa que soma a inflação do ano anterior com o crescimento do PIB de dois anos antes –esse último fator é limitado a 2,5%. Ao crescimento do mínimo estão indexados vários benefícios sociais pagos pelo Estado, como as aposentadorias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Lula e Durigan
Durigan virou o porta-voz econômico da campanha para reeleição do presidente Lula (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil)

Entrevista

Em entrevita à GloboNews, o ministro também rejeitou que o governo discuta medidas de controle de capital –restrição ou regulação da entrada e saída de dinheiro no país. “Nós não trabalhamos, não há hipótese de fazer controle de capital. Nós não estamos discutindo isso, isso não é um tema de discussão para programa de governo ou mesmo dentro do governo”, disse.

Em reunião com agentes de mercado no mês de julho, o coordenador do programa de governo da campanha do PT à presidência, o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, defendeu, entre outras medidas, a continuidade da política de valorização real do salário mínimo e o controle de capitais para regular a flutuação do câmbio.

Depois das declarações, que foram alvo de críticas no mercado, o presidente do PT, Edinho Silva, atribuiu a Durigan o posto de porta-voz econômico da campanha. Na entrevista desta quinta, o ministro disse que mantém diálogo “profícuo” com Gabrielli, Edinho e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).

Na entrevista, o ministro sustentou que os gastos públicos não são responsáveis pelo aumento da dívida nacional, que em junho bateu 81,9% do PIB. Ele atribuiu o aumento do endividamento aos juros elevados (hoje em 14%) e disse que o governo buscará controlar as despesas para reduzir a taxa Selic.

“Do ponto de vista do presidente Lula, a responsabilidade fiscal é uma pré-condição para que a gente discuta outros temas que para nós inclusive são mais importantes, como o desenvolvimento do país e o combate às desigualdades”, disse.

Durigan também disse que o arcabouço fiscal –regra que limita o crescimento dos gastos públicos– “veio para ficar”, e afirmou que os juros futuros refletem ansiedade do mercado no período eleitoral.

“Não reputo [os juros futuros] à má vontade [do mercado], mas a um grau de incerteza e uma certa ansiedade no momento de eleição, de saber quais os projetos estão na mesa para tomada de decisão”, afirmou.

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