O Ibovespa iniciou a última semana cheia do ano em tom positivo e registrou uma alta expressiva de 1,07%, encerrando o pregão aos 162.481,74 pontos. Ao longo do dia, o índice chegou a superar a marca dos 163 mil pontos, refletindo o apetite do investidor por ativos de risco diante de um cenário de juros em queda no radar.
No mercado de câmbio, o dólar comercial chegou a operar em baixa pela manhã, mas mudou de direção durante a tarde e fechou com valorização de 0,23%, cotado a R$ 5,423. Já os juros futuros (DIs) recuaram ao longo de toda a curva, sinalizando uma leitura mais favorável para a política monetária à frente.
O principal destaque do dia foi a divulgação do IBC-Br de outubro, indicador mensal do Banco Central considerado uma prévia do PIB. O dado mostrou uma retração de 0,2%, contrariando as expectativas do mercado, que projetavam crescimento de 0,1%.
A queda foi puxada principalmente pelos setores de indústria e serviços, enquanto o agronegócio ajudou a amortecer um resultado ainda mais negativo. Para economistas, o número reforça a percepção de desaceleração da economia brasileira no segundo semestre.
Wall Street fecha no vermelho à espera de dados
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street encerraram o dia em leve queda, em um ambiente de cautela antes da divulgação dos dados do mercado de trabalho. Os números foram adiados após a recente paralisação do governo americano e são vistos como fundamentais para calibrar os próximos passos do Federal Reserve.
Apesar do corte de juros realizado recentemente, dirigentes do Fed reforçam o discurso de dependência dos dados econômicos, ainda que parte do mercado questione essa abordagem diante do atraso das informações.
Bancos e blue chips sustentam a alta do índice
No mercado doméstico, a leitura de uma economia mais fraca animou os investidores, que passaram a reforçar as apostas em um possível início do ciclo de cortes da Selic já no começo de 2026.
As blue chips lideraram os ganhos: Vale avançou, enquanto Petrobras também fechou em alta. O grande destaque, porém, ficou com o setor bancário, que impulsionou o índice. Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander registraram ganhos consistentes, com o Santander se destacando entre eles.
A B3 também encerrou o dia no positivo após divulgar projeções para os próximos anos, embora o mercado tenha demonstrado alguma cautela em relação às expectativas de custos.
Destaques negativos do pregão do Ibovespa
Do lado das perdas, a Suzano recuou após anunciar reajuste no preço da celulose. A Braskem teve um dia volátil e fechou em queda após fortes oscilações ligadas à venda de participação da Novonor.
Fora do Ibovespa, a Azul despencou mais de 20%, com o mercado reagindo negativamente à forte diluição acionária prevista no processo de reestruturação via Chapter 11.
O que vem pela frente
Nesta terça-feira, o foco dos investidores se volta para os dados de emprego nos Estados Unidos e para a ata da última reunião do Copom, que pode trazer pistas mais claras sobre quando o Banco Central brasileiro deve iniciar o ciclo de cortes da Selic.
A última semana cheia do ano começou intensa — e promete seguir movimentada.
Com informações da InfoMoney