O mercado financeiro voltou a operar em clima de cautela nesta quarta-feira (27), diante das incertezas envolvendo o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã e da divulgação de dados de inflação acima do esperado no Brasil. O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,48%, aos 175.744 pontos.
O dólar comercial avançou 0,66%, encerrando o dia cotado a R$ 5,06, enquanto os juros futuros oscilaram sem direção única ao longo da sessão.
Nos mercados internacionais, investidores seguiram atentos às negociações envolvendo o conflito no Oriente Médio. Apesar de sinais de avanço nas conversas entre Washington e Teerã, ainda não houve anúncio oficial de um acordo. O presidente dos EUA, Donald Trump voltou a afirmar que seu governo não está satisfeito com os termos atuais das negociações, embora o mercado interprete que uma solução diplomática esteja mais próxima.
Do lado iraniano, autoridades indicaram que o Estreito de Ormuz poderia ser totalmente reaberto após um eventual acordo, tema considerado central para o comércio global de petróleo.
A percepção de possível redução das tensões pressionou os preços internacionais da commodity. O petróleo WTI fechou abaixo de US$ 90 por barril, enquanto o ouro também recuou.
Em Wall Street, os principais índices terminaram o dia com leves altas, apoiados principalmente por ações de tecnologia. As bolsas europeias fecharam sem direção definida.
No cenário doméstico, o principal destaque econômico foi a divulgação do IPCA-15 de maio, que veio acima das projeções do mercado e reforçou preocupações com a inflação brasileira. Ainda assim, economistas destacaram sinais moderados de desaceleração nos núcleos inflacionários.
Segundo André Valério, economista-sênior do Inter, apesar do cenário ainda exigir cautela, não há sinais claros de contaminação mais ampla da inflação pelo choque recente do petróleo.
A Fundação Getulio Vargas também informou que a confiança da indústria voltou a subir em maio, após queda registrada no mês anterior.
Destaques do Ibovespa
Entre as ações mais negociadas do dia, a Petrobras recuou 1,43%, acompanhando a queda dos preços internacionais do petróleo. Ainda assim, investidores seguem atentos à possibilidade de reajuste nos combustíveis e às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Margem Equatorial, onde a estatal pode anunciar em breve resultados das pesquisas sobre reservas de petróleo.
A Vale conseguiu reverter perdas ao longo do pregão e encerrou em alta de 0,46%. Os grandes bancos também ajudaram a limitar as perdas do índice: Bradesco subiu 0,90%, Itaú Unibanco avançou 0,65% e Santander Brasil ganhou 0,55%.
Entre os destaques positivos, a Embraer avançou 1,55%, apoiada por recomendações favoráveis de analistas. Já a Natura caiu 4,13% após revisões mais conservadoras para os resultados de 2026 e 2027.
Os investidores agora acompanham a divulgação de novos indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos, incluindo dados de inflação, emprego e atividade econômica, que podem influenciar os próximos passos dos bancos centrais e o comportamento dos mercados.