O rali recente do Ibovespa — que acumulou 12 recordes consecutivos e alta de 23% em 12 meses — não dá sinais de esgotamento. Essa é a avaliação predominante no mercado, que vê a Bolsa brasileira iniciando um ciclo de recuperação após anos de compressão.
Indicadores reforçam a percepção de que o movimento pode continuar. No ano passado, o índice P/L do Ibovespa estava em 8, bem abaixo da média de 16 dos sete anos anteriores, segundo dados da Bloomberg. Mesmo com a valorização recente — uma alta de 8% desde outubro — o índice negocia hoje a P/L de 11,27, ainda inferior ao padrão histórico. Para muitos analistas, isso abre espaço para mais ganhos.
A Rico projeta o Ibovespa em 170 mil pontos ao fim de 2026, o que representaria uma alta potencial de quase 14% em relação ao fechamento da última sexta-feira (14), de 157.738 pontos.
Diversificação fora dos EUA alimenta Ibovespa
Outro fator que impulsiona o mercado é o movimento global de diversificação para fora dos Estados Unidos. Em 2025, enquanto o S&P 500 sobe cerca de 15%, os mercados emergentes acumulam ganhos superiores a 35% em dólar. Esse apetite tem favorecido o Brasil: o fluxo estrangeiro somou R$ 26 bilhões até outubro, segundo a Elos Ayta Consultoria.
Historicamente, recordes do Ibovespa acompanhados de entradas líquidas de estrangeiros tendem a sinalizar altas mais sustentadas. No entanto, investidores brasileiros seguem tímidos. A participação de pessoas físicas e institucionais continua abaixo do padrão histórico, mesmo com sinais de melhora no cenário de juros.
O ciclo de cortes da Selic projetado para 2026 — que pode levar a taxa a 12,25% — reforça o otimismo. Juros menores reduzem o custo de capital das empresas e diminuem a atratividade da renda fixa, tradicional concorrente da Bolsa.
Corte de juros nos EUA
A expectativa de cortes também nos Estados Unidos fortalece o apetite global por risco. Ainda assim, analistas ponderam que o trajeto não será linear.
Nem mesmo o calendário eleitoral, normalmente fonte de volatilidade, preocupa o mercado no momento. A possível candidatura de Tarcísio de Freitas à Presidência, por exemplo, não é vista como fator relevante para a Bolsa, na avaliação de analistas.
Entre os setores mais recomendados, saneamento e energia elétrica se destacam pela resiliência e pelo pagamento consistente de dividendos. Na ponta oposta, empresas de commodities e papéis que já dispararam — especialmente os de tecnologia — inspiram cautela.
Especialistas reforçam que, apesar do bom momento, renda variável é indicada apenas para investidores moderados ou arrojados, com reserva de emergência formada. Para quem não acompanha o mercado de perto, fundos de ações podem ser alternativas mais adequadas.
Os bancos recomendam que, mesmo os investidores mais dispostos a assumir riscos devem manter a maior parte da carteira em renda fixa, dado o cenário de juros ainda elevados nos próximos anos.