O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (26) em queda de 1,45%, aos 182.732 pontos, interrompendo uma sequência de três altas consecutivas, em meio ao aumento das incertezas no cenário internacional. O movimento foi influenciado principalmente pela instabilidade nas relações entre Estados Unidos e Irã, marcada por discursos contraditórios e baixa previsibilidade diplomática.
No câmbio, o real perdeu força após a queda da véspera, com o dólar comercial avançando 0,69%, cotado a R$ 5,256. No mercado de juros, os contratos futuros (DIs) registraram alta ao longo de toda a curva, refletindo a deterioração das expectativas.
A tensão geopolítica segue como principal vetor de risco. O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a adotar um tom ambíguo ao indicar incerteza sobre a manutenção do prazo para pausa nos ataques ao Irã, previamente estabelecido para viabilizar negociações. Ao mesmo tempo, o governo iraniano mantém discurso aberto à diplomacia, embora critique a proposta estadunidense de cessar-fogo, considerada unilateral.
No cenário doméstico, o destaque foi a divulgação da prévia da inflação (IPCA-15) de março, que veio acima das expectativas, pressionado principalmente pelo aumento nas passagens aéreas. O dado reforça preocupações com a trajetória da inflação e pode limitar o espaço para cortes de juros, apesar de o Banco Central ainda identificar sinais de desaceleração econômica.
Ações
Em meio a esse contexto, ações ligadas ao petróleo destoaram positivamente. A Petrobras avançou 1,09%, acompanhando a valorização da commodity, assim como outras petroleiras. Por outro lado, papéis de grande peso no índice registraram queda, incluindo a Vale.
O setor bancário também contribuiu para o desempenho negativo do Ibovespa, com recuos generalizados entre os principais bancos. O movimento reflete a sensibilidade do mercado a um ambiente de maior aversão ao risco, tanto no cenário externo quanto interno.
Mercado externo
O ambiente de incerteza também afetou os mercados internacionais. Em Nova York, os principais índices acionários fecharam em queda, enquanto o petróleo voltou a subir diante do risco de interrupções na oferta global. O ouro, por sua vez, recuou.
O Dow Jones recuou 1,01%, aos 45.959,43 pontos; o S&P 500, -1,74%, aos 6.477,14 pontos; e o Nasdaq, -2,38%, aos 21.408,08 pontos.