O mercado financeiro viveu um dia agitado nesta quinta-feira (26), com o Ibovespa encerrando com alta de 0,99%, aos 137.113,89 pontos, recuperando as perdas da véspera. O dólar comercial também cedeu, fechando com baixa de 0,99%, cotado a R$ 5,499, após movimentações políticas e econômicas pesadas que mexeram com os investidores.
O grande catalisador do dia foi a decisão do Congresso Nacional de anular os decretos do Executivo que elevavam o IOF. A medida representou uma derrota significativa para o governo, que esperava arrecadar R$ 10 bilhões com a mudança ainda em 2025. A revogação das novas alíquotas reacendeu a incerteza fiscal e provocou reações no mercado político e financeiro.
A AGU (Advocacia-Geral da União) ainda estuda uma eventual judicialização do caso, mas setores do governo defendem cautela. O ministro do STF Gilmar Mendes considerou o tema predominantemente político, embora admita precedentes jurídicos. No Congresso, Davi Alcolumbre (Senado) classificou a derrota do Executivo como resultado de um processo “construído a muitas mãos”, e Hugo Motta (Câmara) prometeu buscar diálogo com o presidente Lula.
Em contraste com o clima político, os dados econômicos trouxeram algum alívio. O IPCA-15 de junho veio abaixo das expectativas, indicando desaceleração da inflação, especialmente nos serviços. Já o déficit primário do Governo Central em maio foi de R$ 40,6 bilhões, melhor do que o saldo negativo de R$ 60,4 bilhões no mesmo mês do ano passado. A arrecadação federal somou R$ 230,1 bilhões, o melhor desempenho para o mês de maio desde o início da série histórica, em 1995.
Diante desses números, o Banco Central elevou a projeção de crescimento do PIB brasileiro para 2025, de 1,9% para 2,1%. Ainda assim, o Banco Mundial alerta que o país precisa realizar um ajuste fiscal equivalente a 3% do PIB para garantir estabilidade a longo prazo.
Nos Estados Unidos, o PIB do primeiro trimestre de 2025 apresentou contração acima do esperado, influenciado por menor consumo das famílias. Apesar disso, o mercado acionário reagiu positivamente, com investidores apostando em novas medidas de estímulo e um possível adiamento das tarifas anunciadas anteriormente. A Casa Branca, por sua vez, indicou não ter pressa para nomear um sucessor para Jerome Powell, atual presidente do Federal Reserve.
Ibovespa impulsionado por Vale, Petrobras e varejo
As ações da Vale (VALE3) lideraram as altas, com valorização de 3,01%, acompanhadas por Petrobras (PETR4), que subiu 0,80% com o petróleo em alta. O setor bancário também avançou, com exceção do Itaú Unibanco (ITUB4), que caiu 0,74%.
Entre os frigoríficos, destaque para Minerva (BEEF3), com alta de 1,45%, enquanto Marfrig (MRFG3) e BRF (BRFS3) também subiram. No varejo, Lojas Renner (LREN3) e Assaí (ASAI3) registraram ganhos relevantes, beneficiadas pela perspectiva de desaceleração na inflação e possível queda nos juros.
Destaques negativos
Por outro lado, empresas do setor de locação de veículos sentiram o impacto de rumores sobre mudanças em programas do governo. Movida (MOVI3) despencou 13,89%, enquanto Localiza (RENT3) caiu 7,28%. Ecorodovias (ECOR3) também recuou levemente após manter a concessão da BR-101 em novo leilão de otimização.