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Em uma jornada de gravações intensas, que chegou a somar 12 horas ininterruptas em um único dia, o economista e fundador do ICL (Instituto Conhecimento Liberta), Eduardo Moreira, esteve na Argentina para produzir um novo documentário sobre a realidade do país vizinho do Brasil. O objetivo: entender e mostrar o impacto real de 1,8 ano de governo do anarcocapitalista de extrema direita, Javier Milei, no cotidiano da população.

Apesar da intenção inicial de ouvir “os dois lados” — empresários simpáticos ao governo e trabalhadores atingidos pelas políticas —, Moreira afirma que se viu impossibilitado de construir qualquer narrativa positiva: “Nem se eu quisesse, conseguiria defender o Milei. A situação da Argentina é insustentável”, disse, durante participação no ICL Notícias 1ª edição desta segunda-feira (11).

Argentina: restaurantes vazios, ruas abandonadas

O documentário evidencia que a crise econômica já atingiu profundamente a classe média e alta, que tradicionalmente sustentava setores como o de gastronomia. Em Buenos Aires e arredores, mais de 400 restaurantes fecharam nos últimos meses. Locais antes vibrantes, como Puerto Madero, agora estão vazios antes das 22 horas.

Além disso, há um crescimento alarmante de lixo nas ruas — consequência direta, segundo Moreira, da nova política de lixo urbano.

“O governo mudou o modelo das lixeiras para impedir que pessoas em situação de rua conseguissem pegar comida dentro delas”, denunciou.

Essa mudança, segundo uma pessoa em situação de rua ouvida por Moreira, agravou ainda mais a fome. “O morador me disse que antes reciclava lixo com a carroça – papelão, papel, plástico. Mas o governo Milei tomou a carroça dele, ou seja, o sustento dele.”

“Desmascarar a maior fake news do mundo”

Moreira enfatizou que o documentário será o mais completo e tecnicamente refinado que o ICL já produziu, com imagens e relatos exclusivos: “Vai ser o desmascaramento da maior fake news do mundo hoje: a ideia de que Milei é um sucesso.”

A crítica se dirige também à cobertura da mídia tradicional brasileira, como Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, que, segundo ele, ignoram os protestos e a repressão crescente nas ruas argentinas.

“Há um silêncio sobre a repressão policial que aumentou muito. Os protestos continuam.”

Inflação e a ilusão da estabilidade

A queda na inflação mensal — que passou de 40% para 3% — tem sido apresentada como um dos principais “trunfos” do governo Milei. Mas Moreira questionou essa narrativa.

“Essa queda é resultado de uma sobrevalorização artificial do peso argentino. Isso segura o dólar, mas destrói a indústria nacional e o emprego.”

O problema, segundo ele, é que a política de contenção da inflação é insustentável: exige injeção constante de dólares em uma economia sem reservas — o que tende a levar a mais endividamento externo.

A percepção popular, no entanto, ainda segura o governo: “O que ouço nas ruas é: ‘diminuiu minha ansiedade’. Mas quando pergunto se estão comprando mais, dizem que não. Porque está tudo caro demais.”

Realidade econômica x expectativa do mercado

Embora reportagem recente do Financial Times tenha elogiado os “avanços” do governo de Javier Milei, já aponta a necessidade de mudanças para manter a “melhora”. Para Moreira, isso reflete uma cobrança dos próprios setores financeiros que viam Milei como solução — mas agora temem o colapso.

“A pressão vem do próprio mercado. Ou se freia esse desastre agora, ou será insustentável.”

Expectativa: choque entre forma e conteúdo

A equipe de Eduardo Moreira encerrou a gravação aplaudindo e emocionada. O contraste entre a qualidade técnica do documentário e o conteúdo perturbador promete comover o público.

“Acho que as pessoas vão ficar maravilhadas com a parte técnica — e aterrorizadas com o que vão ver.”

Veja o comentário completo de Eduardo Moreira no vídeo abaixo:

 

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