Os índices futuros dos Estados Unidos estão em trajetória negativa, nesta manhã de quinta-feira (13), estendendo as perdas da véspera, depois que a Inflação ao consumidor (CPI) dos EUA apontou avanço de 0,5% em janeiro, acima do esperado.
Com o resultado, os agentes reforçaram a percepção de que há pouco espaço para o Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense) reduzir os juros no Brasil.
Nesta quinta, será divulgado mais um dado de inflação, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês).
Outro assunto no radar dos agentes é a conversa que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter tido com o presidente russo, Vladimir Putin, e com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy. Um possível acordo de paz fez os preços do petróleo desabarem na véspera. Trump afirmou ter ordenado que autoridades dos EUA iniciassem negociações imediatamente para acabar com a guerra.
Por aqui, o destaque do dia é a divulgação, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dos dados do varejo brasileiro referente a dezembro de 2024. Em novembro, o setor apontou retração de 0,4% na comparação com outubro, e subiram 4,7% sobre um ano antes.
Brasil
O Ibovespa fechou a quarta-feira (12) com baixa de 1,69%, aos 124.380,21 pontos, perda de 2.141,45 pontos. Foi a maior queda do ano.
O pessimismo veio depois que a inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI, na sigla em inglês) aumentou 0,5% em janeiro, acima do esperado por analistas (+0,3%). Segundo dados do Departamento do Trabalho dos EUA, divulgados ontem, o indicador acumula alta de 3% em 12 meses, ou seja, acima da meta de 2% perseguida pelo Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense).
No cenário corporativo, as ações dos pesos-pesados, como Petrobras e bancos, aceleraram as perdas do Ibovespa. No caso da estatal, os papéis acompanharam a queda do petróleo no mercado internacional, depois dos sinais emitidos de possível cessar-fogo na guerra da Rússia contra a Ucrânia.
No cenário macro, o volume de serviços no Brasil recuou 0,5% em dezembro de 2024, segundo resultado negativo consecutivo, acumulando perda de 1,9% nos dois últimos meses do ano.
O dólar à vista operou volátil com dados de inflação nos Estados Unidos e acabou encerrando a quarta-feira com leve queda de 0,08%, cotado em R$ 5,7631.
Europa
As bolsas europeias operam com alta, após as negociações entre EUA e Rússia estimularem otimismo sobre um possível fim da guerra na Ucrânia.
Outra notícia que trouxe otimismo foi o crescimento da economia do Reino Unido, que veio acima do esperado. O PIB (Produto Interno Bruto) do Reino Unido cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2024 ante os três meses anteriores. Na comparação anual, houve expansão de 1,4% entre outubro e dezembro e, em todo o ano de 2024, a economia mostrou crescimento de 0,9%, depois de avançar 0,4% no ano anterior. O crescimento foi impulsionado pela alta do consumo das famílias.
FTSE 100 (Reino Unido): -0,50%
DAX (Alemanha): +1,02%
CAC 40 (França): +0,86%
FTSE MIB (Itália): +0,31%
STOXX 600: +0,44%
Estados Unidos
Os índices futuros dos EUA caem, com os investidores monitorando os dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego que serão divulgados pela manhã e, também, mais dados corporativos.
Das mais de 69% das empresas listadas no S&P 500 que já divulgaram resultados, quase 77% superaram as expectativas de Wall Street, de acordo com a FactSet.
Dow Jones Futuro: -0,09%
S&P 500 Futuro: -0,17%
Nasdaq Futuro: -0,10%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta quinta, em movimento descolado de Wall Street, que caiu durante a noite depois da divulgação da inflação acima do esperado.
Shanghai SE (China), -0,42%
Nikkei (Japão): +1,28%
Hang Seng Index (Hong Kong): -0,20%
Kospi (Coreia do Sul): +1,36%
ASX 200 (Austrália): +0,06%
Petróleo
Os preços do petróleo operam no vermelho, devido às expectativas de que um possível acordo de paz entre Ucrânia e Rússia significaria o fim das sanções que interromperam os fluxos de fornecimento da commodity.
Petróleo WTI, -0,77%, a US$ 70,82 o barril
Petróleo Brent, -0,73%, a US$ 74,63 o barril
Agenda
Serão divulgados nos EUA os dados do auxílio-desemprego semanal e os preços ao produtor de janeiro.
Por aqui, no Brasil, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que ainda há incertezas sobre os impactos das tarifas de Trump, mas observou que o Brasil pode sofrer menos devido à sua menor integração com a economia norte-americana. Durante seminário no Rio de Janeiro, ontem, Galípolo comentou que a expectativa de um choque tarifário foi modificada ao longo de 2025, com a percepção de que o Brasil está menos exposto. Em sua última decisão sobre política monetária, o BC incluiu o risco de um cenário mais favorável para a inflação em países emergentes devido aos choques comerciais.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg