Os índices futuros dos EUA operam em queda nesta terça-feira (2), na reabertura após o feriado do Dia do Trabalho. O recuo reflete incertezas sobre a legalidade das tarifas comerciais impostas por Donald Trump e o aumento das pressões sobre a independência do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense).
Na sexta-feira (29), um tribunal federal de apelações decidiu que a maioria das tarifas globais implementadas durante o governo Trump é ilegal, por violar prerrogativas do Congresso. Trump reagiu chamando a decisão de “partidária” e prometeu recorrer à Suprema Corte.
As preocupações se intensificam com os sinais de interferência política no Fed. Uma audiência sobre a possível demissão de Lisa Cook, diretora indicada pelo ex-presidente Joe Biden, terminou sem decisão. Já o economista Stephen Miran, nome apoiado por Trump, será sabatinado nesta quarta-feira (3).
No Brasil, o STF (Supremo Tribunal Federal) inicia hoje o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados, acusados de integrar o “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado em 2023. As sessões ocorrerão ao longo de setembro.
Na agenda econômica, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga nesta manhã o PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre, com expectativa de alta de 0,3% frente ao trimestre anterior. Nos EUA, saem indicadores do setor industrial a partir das 10h45, incluindo PMI e gastos com construção.
Brasil
O Ibovespa iniciou setembro em leve retração de 0,10%, aos 141.283 pontos, em um dia de baixa liquidez e sem a referência de Wall Street, fechada pelo feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos. A queda de 139 pontos, embora modesta, reflete um mercado em compasso de espera — não apenas pela agenda econômica internacional, mas também pelo avanço de tensões políticas no cenário doméstico.
Segundo relatório do JPMorgan, as expectativas permanecem positivas para o mercado acionário brasileiro, sustentadas pela possibilidade de cortes de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense) ainda neste mês.
Sem o fluxo de investidores estrangeiros, o dólar comercial ganhou força frente ao real, subindo 0,32%, cotado a R$ 5,439. Os contratos de juros futuros (DIs) encerraram o dia sem direção definida.
Europa
As bolsas europeias operam no vermelho, com investidores atentos aos dados de inflação da zona do euro. Os dados de desemprego na Espanha também serão divulgados.
STOXX 600: -0,63%
DAX (Alemanha): -0,99%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,38%
CAC 40 (França): 0,00%
FTSE MIB (Itália): -0,64%
Estados Unidos
Os índices futuros voltam em baixa após o feriado do Dia do Trabalho. Hoje, o radar dos investidores estará direcionado para a divulgação do relatório de empregos (payroll) de agosto, prevista para sexta-feira (5). O dado deve balizar a próxima decisão do Fed sobre a taxa de juros, marcada para meados do mês.
Dow Jones Futuro: -0,41%
S&P 500 Futuro: -0,49%
Nasdaq Futuro: -0,60%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta terça-feira (2), em meio à cautela dos investidores diante da reunião de líderes da Organização de Cooperação de Xangai, em Tianjin, e da persistente incerteza sobre tarifas comerciais.
Por lá, os investidores aguardam novidades no âmbito comercial após uma recente decisão judicial nos EUA contra as tarifas do governo Trump.
Shanghai SE (China), -0,45%
Nikkei (Japão): +0,29%
Hang Seng Index (Hong Kong): -0,47%
Nifty 50 (Índia): +0,11%
ASX 200 (Austrália): -0,30%
Petróleo
Os preços do petróleo operam em alta, à medida que aumentam os temores com interrupções no fornecimento em meio à escalada do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
Petróleo WTI, +2,02%, a US$ 65,30 o barril
Petróleo Brent, +0,94%, a US$ 68,79 o barril
Agenda
Nos EUA, saem os dados do PMI da indústria de agosto, gastos com construção de julho e ISM da indústria, também de agosto.
Por aqui, no Brasil, em agosto, a gasolina ficou ligeiramente mais barata em 20 estados, com preço médio de R$ 6,375, influenciada pelo aumento da mistura de etanol de 27% para 30%. Já o etanol subiu em 12 estados, com média de R$ 4,409, enquanto o diesel registrou alta em 17 unidades da federação, especialmente no Centro-Oeste, atingindo R$ 6,307 em média. Os preços mais baixos de gasolina, etanol e diesel foram encontrados em São Paulo, e os mais altos em Roraima, Amazonas e Acre, respectivamente.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg