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Economia

Com inflação de alimentos em alta, governo prepara conjunto de ações

"Não vai haver intervenção artificial", afirmou Rui Costa
22/01/2025 | 15h38

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que o governo federal planeja implementar um conjunto de ações para mitigar os impactos da inflação de alimentos. Durante uma reunião ministerial realizada na última segunda-feira (20), o presidente Lula (PT) cobrou medidas imediatas para enfrentar o aumento nos custos da alimentação, apontado como um dos fatores que mais pesam sobre a popularidade do governo, segundo o jornal O Globo.

Segundo o IBGE, a inflação no setor de alimentos e bebidas liderou o aumento dos preços em dezembro de 2024, com alta de 1,18%, contribuindo significativamente para o índice geral, que fechou em 0,52%. No acumulado de 2024, a alimentação em casa registrou aumento de 8,23%.

A alta nos preços se deve a uma combinação de fatores, incluindo eventos climáticos extremos, desvalorização cambial e aumento da demanda internacional por produtos como carne e café. Durante a reunião ministerial, Lula alinhou-se à avaliação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que aponta a economia aquecida como uma das principais causas da inflação.

Rui Costa também atribuiu parte da pressão inflacionária ao aumento da massa salarial. “Se quem está vendendo sabe que a pessoa está com um salário maior, o vendedor vai testando para ver se o consumidor se dispõe a pagar um preço maior. Se o consumidor não procurar muito, isso tende a puxar uma elevação de preço”.

As iniciativas para reduzir a inflação de alimentos serão discutidas em encontros entre Lula e os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro; do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira; e da Fazenda, Fernando Haddad.

“Não vai haver intervenção artificial, reforço isso. Vamos tomar medidas para ajudar os pequenos produtores a terem custo menor de produção e, desta forma, oferecerem alimentos a preços menores”, afirmou Costa, destacando o foco em soluções estruturais para aliviar o peso da alimentação no orçamento das famílias.

O ministro também descartou a criação de um pacote amplo de medidas, explicando que as ações serão planejadas e anunciadas de forma gradual. “Não vamos fazer um pacote de medidas. Vamos discutir diariamente, Casa Civil, Mapa, MDA, Fazenda. Quando definirmos uma medida, ela é anunciada de imediato e passa a valer.”

Paulo Teixeira: inflação de alimentos é ‘calcanhar de Aquiles’ do governo

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, declarou que a inflação dos alimentos é o “calcanhar de Aquiles” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à Revista Fórum, Teixeira destacou a preocupação com o impacto da alta nos preços na popularidade presidencial e apontou que derrotas eleitorais da esquerda na Europa e nos Estados Unidos foram influenciadas por essa questão. As declarações ocorreram após Lula pressionar Teixeira e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, a apresentar um plano urgente para reduzir o custo dos alimentos no país.

O presidente Lula enfatizou a urgência de medidas: “A população não pode esperar”, teria dito em reuniões internas. Paulo Teixeira, por sua vez, afirmou que o governo já implementa o maior Plano Safra da história, com crédito subsidiado para a produção de alimentos, e que irá buscar mais recursos para assistência técnica e extensão rural. “A agricultura, em função das mudanças climáticas e tecnológicas, requer mais assistência. Muitos agricultores demandam e não têm”, explicou o ministro.

Edegar Pretto, presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), anunciou que a estatal está desenvolvendo um programa para mapear regiões onde a população paga mais caro pelos alimentos. A ideia é intervir e garantir preços mais justos, especialmente nas periferias das grandes cidades. “Queremos levar comida boa, de verdade, a preços mais justos para a população mais carente”, afirmou Pretto, ressaltando que a proposta faz parte do Plano Nacional de Abastecimento Alimentar, lançado em outubro de 2024.

Apesar das iniciativas, não há planos para tabelamento de preços ou controle de exportações. Segundo Pretto, a estratégia é criar incentivos para que pequenos varejistas ofereçam alimentos a preços populares. A medida deve demandar R$ 1,2 bilhão, já parcialmente previsto no orçamento de 2025.

 

 

 

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