INSS suspende cobrança de seguro prestamista em consignados e exige devolução de valores

Banco Inter, Facta Financeira e Cobuccio firmam acordo para suspender o seguro vinculado a empréstimos de aposentados e pensionistas
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) firmou um termo de compromisso com o Banco Inter, a Facta Financeira e a Cobuccio Sociedade de Crédito Direto, determinando a suspensão imediata da cobrança do seguro prestamista nas operações de crédito consignado oferecidas a aposentados e pensionistas.

O seguro prestamista, também chamado de “proteção financeira” ou “seguro de vida prestamista”, garante o pagamento da dívida em caso de morte, invalidez, desemprego ou outras situações previstas na apólice. Com o acordo, as instituições ficam proibidas de oferecer ou incluir o seguro em novos empréstimos ou refinanciamentos, mesmo sob outros nomes, quando o pagamento for feito por desconto no benefício previdenciário.

Além disso, o termo prevê a devolução de valores cobrados indevidamente, caso seja confirmada a irregularidade em processo administrativo, garantindo amplo direito de defesa aos consumidores.

Histórico das suspensões do INSS

Em 15 de outubro, o INSS havia suspendido novas operações de crédito consignado com essas instituições, que estavam sob investigação de órgãos do governo federal, incluindo a CGU (Controladoria-Geral da União). Na ocasião, o instituto classificou a medida como necessária para cessar irregularidades e proteger o interesse público até a conclusão das apurações.

Em nota, o Banco Inter informou que assinou termo de compromisso com o INSS que restabelece a oferta do crédito consignado para os beneficiários do órgão federal. “Esse acordo reforça o compromisso com a transparência e o respeito aos clientes, especialmente aposentados e pensionistas”, diz a instituição.

A Facta Financeira disse à CNN que o acordo reforça o alinhamento da instituição às novas diretrizes do INSS, ajustando o seu portfólio de produtos, deixando de oferecer o seguro prestamista. “O acordo representa, portanto, uma adequação a parâmetros atualizados pelo órgão e reforça o compromisso da Facta com a ética, a responsabilidade e as boas práticas de mercado”, diz.

Banco BMG devolverá R$ 7 milhões

Na última quinta-feira (30/10), o INSS também firmou um termo com o Banco BMG, que se comprometeu a devolver mais de R$ 7 milhões cobrados indevidamente de aproximadamente 100 mil beneficiários da Previdência Social. O ressarcimento será realizado por desconto direto nas faturas dos clientes, e os beneficiários poderão conferir os valores na próxima fatura do cartão.

O banco, entretanto, ainda não foi autorizado a retomar novas operações de crédito consignado, procedimento que ocorrerá somente após a assinatura do ACT (Acordo de Cooperação Técnica), prevista para os próximos dias.

Segundo o INSS, outras instituições financeiras estão revisando suas condutas mesmo sem terem processos administrativos instaurados, demonstrando um movimento de maior fiscalização e compliance no setor de crédito consignado.

 

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.