O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central deve manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano na próxima reunião, marcada para esta quarta-feira (17), mesmo dia em que o Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense) deve iniciar um ciclo de corte de juros nos Estados Unidos.
No Brasil, a decisão do Copom sobre os juros, que já é amplamente esperada pelo mercado, deve vir acompanhada de um discurso mais suave da autoridade monetária, refletindo sinais positivos recentes no cenário econômico, como a desaceleração da inflação e a valorização do real frente ao dólar.
No encontro anterior, o colegiado havia optado por interromper o ciclo de alta da Selic, adotando um tom cauteloso ao sinalizar que a taxa permaneceria elevada por um “período prolongado”. Desta vez, especialistas acreditam que o BC pode demonstrar maior convicção de que a estratégia atual é suficiente para trazer a inflação de volta à meta de 3%, embora esse retorno só esteja projetado para ocorrer a partir do fim do primeiro trimestre de 2026.
Dados mais recentes reforçam esse cenário. Em agosto, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou deflação — a primeira em um ano — com recuo nos preços da energia elétrica, combustíveis e alimentos. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 5,13%. Além disso, a cotação do dólar caiu para o menor nível desde junho de 2024, o que ajuda a conter pressões inflacionárias vindas do exterior.
A mudança no ambiente internacional também influencia as expectativas. O Federal Reserve deve anunciar nesta quarta-feira o primeiro corte de juros desde o início de 2025, o que pode fortalecer moedas emergentes e abrir espaço para o início da flexibilização monetária no Brasil já em dezembro, segundo avaliações de economistas do mercado.
EUA: pressão política e enfraquecimento do emprego podem acelerar redução dos juros
Nos Estados Unidos, o mercado aguarda com grande expectativa o anúncio do Federal Reserve na chamada “superquarta”, quando Brasil e EUA decidem simultaneamente suas políticas monetárias. A autoridade norte-americana deve confirmar o primeiro corte de juros do ano, movimento que já vinha sendo sinalizado pelo presidente do Fed, Jerome Powell, diante da desaceleração do mercado de trabalho.

Diferentemente do Banco Central brasileiro, que tem como único mandato o controle da inflação, o Fed opera com um duplo objetivo: estabilidade de preços e pleno emprego. O enfraquecimento do mercado de trabalho tem ganhado destaque — dados recentes mostraram uma revisão drástica na criação de empregos, sinalizando uma possível deterioração mais rápida da economia.
Apesar da pressão política do presidente Donald Trump por juros mais baixos — inclusive com tentativas de intervenção direta na composição do comitê do Fed —, analistas avaliam que Powell deve manter o discurso de independência institucional. No entanto, a composição do comitê mudou recentemente, com novas nomeações que podem ampliar a margem para cortes mais agressivos, incluindo propostas de redução de até 0,50 ponto percentual na taxa.
O impacto da decisão norte-americana se estende globalmente. Com juros mais baixos nos EUA, ativos de risco tendem a ser favorecidos, e países emergentes como o Brasil podem se beneficiar do chamado carry trade — movimento de investidores que buscam maiores retornos em economias com juros elevados. Esse fluxo ajuda a valorizar o real e a reduzir pressões inflacionárias locais, reforçando o espaço para cortes na Selic nos próximos meses.