Presidente Lula deve sancionar isenção do IR até esta 3ª feira, diz Gleisi

Projeto pode injetar até R$ 28 bilhões na economia em 2026
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou no domingo (9) que o presidente Lula (PT) deve sancionar o projeto que concede isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5 mil até esta terça-feira (11), assim que retornar de Belém (PA), onde participa da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas). A medida vale a partir de janeiro de 2026.

“Tão importante quanto isentar quem ganha até R$ 5 mil, é tributar quem ganha muito nesse país”, disse a ministra.

Segundo ela, cerca de 141 mil brasileiros com renda anual acima de R$ 600 mil atualmente pagam uma carga efetiva de apenas 2,5%, que passará para 10% com a nova lei, considerada uma medida de “justiça tributária”. Pela primeira vez, os dividendos recebidos também serão tributados, algo que Gleisi classificou como histórico.

O projeto de lei de isenção do IR amplia a faixa atual de até dois salários mínimos (R$ 3.036) para quem ganha até R$ 5 mil. Além disso, estabelece uma faixa de desconto para salários entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, com redução gradual do Imposto de Renda à medida que o rendimento aumenta.

O Senado aprovou na quarta-feira passada (5) o projeto de lei e isenção do IR (PL 1.087/2025). Para compensar os cofres públicos pela perda de arrecadação, a proposta aumenta a taxação de altas rendas, a partir de R$ 600 mil anuais.

Isenção do IR: como calcular

O cálculo da redução do IR segue a fórmula prevista no projeto aprovado no Senado:

  • Desconto mensal = 978,62−(0,133145 x rendimentos tributáveis)

Por exemplo, um trabalhador que recebe R$ 5.350 por mês terá:

  • 978,62−(0,133145 x 5.350) ≈ 266,29

Portanto, ele economizará cerca de R$ 266 por mês, totalizando R$ 3.461,82 ao longo do ano, considerando o 13º salário.

Impacto socioeconômico e regional

Economistas avaliam que a medida proporcionará um alívio financeiro significativo à classe média, podendo injetar entre R$ 20 bilhões e R$ 28 bilhões na economia em 2026.

Segundo estudo da Tendências Consultoria apontado em reportagem do jornal O Globo, os principais beneficiados estão no Sudeste, especialmente em São Paulo, e apresentam perfis típicos da classe média: homens, brancos, empregados formalizados no setor privado e com maior escolaridade.

Aproximadamente 51% dos beneficiados moram na região Sudeste, enquanto Norte e Nordeste representam 5,7% e 13,4%, respectivamente.

O levantamento também indica que 56,3% das pessoas com renda de R$ 5 mil a R$ 7.350, que terão desconto no IR, possuem ensino superior completo. “Essas pessoas estão longe de ser pobres”, afirma Thiago Xavier, consultor da Tendências.

Embora a medida aumente a renda disponível da classe C e do segmento mais baixo da B, o efeito sobre o consumo ainda é incerto.

Famílias dessas faixas de renda já possuem eletrodomésticos e dedicam grande parte do orçamento a alimentação, medicamentos e aluguel. Qualquer sobra tende a ser direcionada a marcas melhores ou substituição de equipamentos.

Diferentemente dos mais pobres, que rapidamente gastam qualquer aumento de renda em necessidades básicas, essas famílias podem optar por poupar ou planejar compras maiores.

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.