O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados são da Serasa Experian, divulgados nesta quarta-feira (12), e reúnem solicitações feitas por produtores rurais, tanto pessoa física quanto jurídica, além de empresas ligadas à cadeia produtiva do setor.
O número também é maior do que o registrado no quarto trimestre de 2025, quando os pedidos somaram 408. Ainda assim, o total ficou abaixo do pico observado no terceiro trimestre do ano passado, quando o setor chegou a 628 solicitações.

Quem mais recorreu ao mecanismo
Entre os estados, o Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, oleaginosas e gado, concentrou o maior número de pedidos, com 135 registros. Na sequência aparecem Goiás, com 73, Paraná, com 50, e Mato Grosso do Sul, com 38, todos também grandes polos de produção agrícola no país.
Olhando por tipo de atividade, o cultivo de soja, principal produto agrícola do Brasil, respondeu pela maior parte dos casos, com 137 pedidos, seguido pela criação de bovinos, com 42 solicitações.
O crescimento mais expressivo veio dos produtores rurais que atuam como pessoa jurídica: os pedidos desse grupo saltaram 73,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, chegando a 196 casos, o maior avanço percentual entre os perfis analisados pela pesquisa.
Já entre os produtores pessoa física, o cenário foi mais heterogêneo. Produtores classificados como “sem propriedades”, categoria que pode incluir arrendatários, somaram 60 pedidos. Pequenos proprietários registraram 44 solicitações, grandes produtores tiveram 41, e produtores médios, 37, totalizando 182 pedidos nesse segmento, uma queda de 6,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O que explica o aumento
Segundo a Serasa Experian, o cenário reflete um ambiente de crédito mais restrito, combinado com custos de produção ainda elevados e um nível maior de endividamento entre os produtores rurais, fatores que continuam pressionando o fluxo de caixa no campo. A avaliação é que o comportamento do setor até o fim do ano vai depender diretamente da capacidade de geração de receita dos produtores, das margens de lucro e das condições disponíveis para renegociar dívidas. A recomendação da empresa é que a renegociação e o planejamento financeiro sejam tratados como prioridade, deixando a recuperação judicial como último recurso.