Petróleo dispara com escalada entre EUA e Irã e reacende temor sobre oferta global

Tensões no Estreito de Ormuz elevam o preço do petróleo em até 7% e pressionam mercados globais
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O preço do petróleo iniciou a semana em forte alta, refletindo a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã após um fim de semana marcado por confrontos no Golfo de Omã e novos ataques a embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. O movimento reacendeu preocupações sobre a segurança da oferta global de energia e provocou aversão ao risco nos mercados financeiros.

O barril do tipo Brent, referência internacional, chegou a subir 6,3%, atingindo US$ 96, antes de desacelerar para US$ 94,77, ainda com avanço de 4,86% por volta das 07h52. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, saltou até 7%, a US$ 88,30, sendo negociado no mesmo horário a US$ 87,32, alta de 5,73%.

Escalada militar eleva incerteza

A alta foi impulsionada por ações militares recentes. No domingo (19), a Marinha dos Estados Unidos apreendeu uma embarcação iraniana no Golfo de Omã após o navio desobedecer ordens de parada ao deixar o Estreito de Ormuz. Segundo o presidente Donald Trump, o episódio marca o primeiro grande confronto direto desde o início do bloqueio naval imposto há cerca de uma semana.

A apreensão ocorreu após o Irã atacar um petroleiro na região no sábado, intensificando um ciclo de retaliações. O país também voltou a impor restrições à navegação no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde transitava cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes do início do conflito, no fim de fevereiro.

O impasse em torno da via marítima se soma a outras questões sensíveis, como o programa nuclear iraniano e a atuação militar de Israel no Líbano, ampliando o risco geopolítico.

Além disso, o Irã teria rejeitado participar de uma segunda rodada de negociações com os Estados Unidos. A informação foi dada pela gência estatal Irna ontem. As conversas estavam previstas para começar no Paquistão nesta segunda-feira (20).

A informação foi divulgada a três dias do fim do prazo do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos. A trégua começou em 7 de abril e está prevista para durar até quarta-feira (22).

Mercados reagem com cautela

A escalada da tensão interrompeu um movimento recente de recuperação nos mercados globais. Os contratos futuros do S&P 500 recuaram 0,4%, enquanto bolsas europeias registraram queda de 1% nesta manhã. No mercado de renda fixa, os rendimentos dos títulos soberanos subiram, refletindo maior cautela dos investidores.

Ativos considerados de proteção também reagiram: o dólar apresentou leve valorização, enquanto o ouro recuou, sendo negociado abaixo de US$ 4.800 por onça.

Apesar do cenário mais tenso, parte dos investidores ainda aposta em uma solução diplomática no curto prazo. Declarações divergentes entre autoridades dos dois países, no entanto, aumentam a incerteza sobre o avanço de negociações.

Expectativa de negociação mantém volatilidade

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o conflito não interessa a nenhuma das partes e defendeu a retomada do diálogo. Ainda assim, autoridades iranianas indicaram falta de clareza sobre um possível acordo, contrastando com declarações mais otimistas feitas por Donald Trump.

Para analistas, o mercado segue sensível a qualquer sinal vindo da região. A expectativa de negociação ainda sustenta alguma estabilidade, mas episódios militares pontuais continuam capazes de provocar fortes oscilações.

Impacto do conflito nos preços do petróleo

Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, no fim de fevereiro:

  • Petróleo WTI:
    US$ 67,02 → US$ 87,47
    Variação: +30,51%
  • Petróleo Brent:
    US$ 72,48 → US$ 94,77
    Variação: +30,75%

 

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