Pix na mira dos EUA: Governo brasileiro rebate investigações e defende sistema como patrimônio nacional

Haddad criticou o incômodo de multinacionais com a eficiência do Pix
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O Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, se tornou alvo de críticas e até de investigação por parte do governo dos Estados Unidos. A movimentação norte-americana, liderada pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR), levanta suspeitas de que o Brasil estaria favorecendo seu sistema de pagamentos em detrimento das gigantes internacionais do setor.

Embora o relatório do USTR não mencione diretamente o nome “Pix”, o documento faz referência a “serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos por governos”, claramente apontando para a tecnologia brasileira. A justificativa americana é que isso poderia ferir a competitividade de empresas dos EUA no mercado de comércio digital.

Mas para o governo brasileiro, a acusação é infundada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saíram em defesa do sistema, exaltando sua eficiência, gratuidade e importância para a inclusão financeira no país.

Durante reunião do “Conselhão”, colegiado que reúne governo, empresários e representantes da sociedade civil, Fernando Haddad foi direto: “Nós não podemos nem sonhar, nem pensar, nem imaginar privatizar algo que não tem custo para os cidadãos.”

Segundo o ministro, ceder à pressão internacional seria um erro estratégico. Ele criticou o incômodo de multinacionais com a eficiência do Pix, afirmando que elas lucraram por décadas com seus próprios sistemas, e ninguém se incomodou com isso.

Lula sugeriu que Trump fizesse um Pix

Lula também ironizou a postura dos EUA, sugerindo que o presidente Donald Trump experimentasse o sistema fazendo um Pix para pagar uma conta. “Ele iria ver que é uma coisa moderna”, ironizou.

“Qual é a preocupação deles? É que se o Pix tomar conta do mundo, os cartões de crédito irão desaparecer. E é isso que está por trás dessa loucura contra o Brasil. Por isso, nós não podemos ser penalizados por desenvolver um sistema gratuito, como disse o companheiro Haddad, e eficiente”, destacou Lula.

Especialistas apontam que a ofensiva norte-americana tem menos a ver com problemas reais e mais com o temor da concorrência. O crescimento do Pix, especialmente com a chegada do Pix Internacional e as discussões no âmbito do BRICS sobre alternativas ao dólar, incomodam setores tradicionais nos EUA — como as grandes bandeiras de cartões de crédito, que veem no sistema brasileiro uma ameaça ao seu domínio global.

Para o governo, o sucesso do Pix não é apenas um avanço tecnológico, mas uma demonstração de soberania digital. E, segundo Haddad, a mensagem é clara: “Mexer no Pix está completamente fora de cogitação.”

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