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Os planos de saúde acumulam uma alta de 327% entre 2006 e 2023 — quase o dobro da inflação oficial do período, de 170%, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Os dados fazem parte de uma análise do Ieps (Instituto de Estudos de Políticas de Saúde), com base em estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e foram publicados pelo jornal O Globo.

O levantamento aponta que os planos de saúde se tornaram o item mais inflacionado dentro da cesta de saúde e cuidados pessoais acompanhada pelo instituto.

Segundo o levantamento, enquanto alimentos subiram 276% e educação 203%, os planos de saúde avançaram de forma mais acelerada, ultrapassando também os reajustes observados em serviços médicos (233%) e hospitalares (179%). A alta, segundo o estudo, compromete cada vez mais a renda de famílias e empresas, principalmente em contratos coletivos empresariais — que representam 72% dos 52,3 milhões de beneficiários.

Empresas de planos de saúde contestam comparação com o IPCA

O setor contesta comparações com o IPCA, alegando que os reajustes consideram o avanço de tecnologias médicas, a frequência de uso e o aumento nos custos operacionais. Ainda assim, especialistas alertam que os aumentos contínuos podem tornar os planos privados inviáveis para uma parcela crescente da população, ao mesmo tempo em que pressionam financeiramente o SUS (Sistema Único de Saúde).

Segundo a consultoria Mercer Marsh, o custo dos planos coletivos empresariais já representa, em média, 15% da folha de pagamento das empresas, podendo chegar a 15,8% até o fim de 2025. A ausência de um teto de reajuste para esses contratos, diferentemente dos planos individuais, contribui para variações expressivas de preço, dependendo do perfil dos usuários e do nível de utilização.

Envelhecimento da população

Para representantes do setor, fatores como envelhecimento populacional, judicialização e terapias de alto custo elevam os gastos. Medicamentos que chegam a R$ 20 mil por caixa e avanços tecnológicos que não substituem, mas se somam aos tratamentos existentes, são apontados como grandes vilões da escalada de preços.

Apesar disso, famílias enfrentam cada vez mais dificuldades para manter os planos de saúde. Muitos aposentados destinam quase toda a aposentadoria ao pagamento das mensalidades, recorrendo ao apoio de parentes para manter o acesso à saúde privada.

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), por sua vez, reconhece que os custos em saúde crescem globalmente acima da inflação média, mas defende que análises sobre o peso dos planos na renda devem levar em conta fatores como variação salarial e mudanças de cobertura pelos usuários ao longo dos anos.

 

 

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