O governo federal está prestes a anunciar oficialmente a Nova Política de Data Centers (Redata), iniciativa que tem como objetivo posicionar o Brasil como um polo mundial nessa infraestrutura essencial para o armazenamento e processamento de dados digitais, com a intenção de atrair R$ 2 trilhões em investimentos ao país na próxima década.
A estratégia, liderada pela equipe econômica do governo do presidente Lula (PT), busca atrair investimentos, fomentar o desenvolvimento da cadeia produtiva local e promover a soberania digital do país, reduzindo a dependência de serviços estrangeiros, que hoje representa um déficit anual de até R$ 8 bilhões na balança comercial.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira, a política para datacenters (centro de dados, na tradução do inglês) foi desenhada para ir além da mera instalação de data centers, enfatizando a importância de desenvolver a cadeia produtiva brasileira para gerar empregos permanentes, principalmente ligados à tecnologia da informação e comunicação.
“Se você instala um data center, importa toda a máquina e o equipamento, e depois acaba o emprego”, explicou. Ele destaca ainda o papel estratégico dos data centers para o avanço da IA (Inteligência Artificial) e da indústria 4.0 no país.
No começo deste mês, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou a intenção do governo de acelerar a desoneração de bens de capital importados – máquinas e equipamentos usados na produção, ligados a data centers. O ministro viajou à Califórnia em busca de investimentos no setor.
Em conferência no Instituto Milken, organização que reúne personalidades da política e da economia para debates políticos e econômicos, Haddad afirmou que o governo pretende antecipar os efeitos da reforma tributária para o setor de data centers.
“A antecipação vai garantir que todo o investimento no Brasil no setor seja desonerado e toda a exportação de serviços a partir dos data centers seja desonerada”, declarou o ministro na ocasião.
Projeto de data centers enfrenta críticas de ambientalistas
Com cerca de 162 data centers atualmente em operação no Brasil, a maior parte concentrada no Sudeste, o Redata pretende aproveitar as vantagens competitivas nacionais, como a produção de energia limpa e a localização geográfica, para impulsionar o setor.
Entretanto, o projeto enfrenta críticas de ambientalistas e entidades da sociedade civil, que questionam os impactos ambientais da expansão dessas instalações.
Data centers demandam grande volume de energia e água, além do uso de minerais considerados críticos para a transição energética.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que participará da fase de regulamentação da política, quando serão definidas salvaguardas e critérios ambientais para o setor.
Por sua vez, Haddad garantiu que o governo quer que a economia digital brasileira seja “simultaneamente digital e verde”, com data centers abastecidos por energia limpa e com foco em segurança cibernética e jurídica.
O anúncio oficial da nova política marca um importante passo na tentativa de posicionar o Brasil na vanguarda do desenvolvimento tecnológico, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar o crescimento econômico com a sustentabilidade ambiental.
O que são Data Centers de IA?
- São infraestruturas especializadas que armazenam, processam e gerenciam grandes volumes de dados utilizados em aplicações de inteligência artificial, equipados com hardware de alto desempenho, como GPUs e TPUs, otimizados para o treinamento e a execução de modelos de IA.
🔹 Componentes principais
- Servidores de alto desempenho: realizam cálculos intensivos e suportam cargas massivas de dados.
- GPUs (Unidades de Processamento Gráfico): essenciais para o treinamento de algoritmos de IA, pois realizam operações paralelas em grande escala.
- Armazenamento de dados: sistemas robustos para guardar dados estruturados e não estruturados usados nos treinamentos e inferências.
- Sistemas de rede: conexão ultrarrápida entre servidores para garantir eficiência no processamento e transmissão de dados.
- Software de gerenciamento: coordena os recursos do data center e otimiza a execução de tarefas de IA.
🔹 Requisitos técnicos
- Alta eficiência energética: para lidar com o enorme consumo elétrico gerado por processamento constante.
- Resfriamento avançado: essencial para evitar superaquecimento dos equipamentos — normalmente com uso intensivo de água ou sistemas refrigerados.
- Segurança cibernética: proteção rigorosa contra vazamentos e ataques, já que lidam com dados sensíveis e estratégicos.
🔹 Desafios e impactos
- Consumo elevado de energia e recursos naturais (como água para resfriamento).
- Alta dependência de minerais críticos (usados nos componentes eletrônicos).
- Impacto ambiental: exige medidas de sustentabilidade e regulação para mitigar efeitos negativos.