O preço do ovo voltou a baixar no Brasil em abril nas cinco principais regiões produtoras do país, atingindo o menor patamar do trimestre neste ano. Os dados são do Cepea/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada do campus da Universidade de São Paulo em Piracicaba), publicados na sexta-feira (2).

No começo do ano, o preço do ovo chegou a disparar 40% por uma conjunção de fatores: quaresma, período religioso que antecede a Páscoa em que se substitui o consumo de carnes vermelhas por proteínas brancas e por ovos; temperatura recorde, que estressa as galinhas e reduz a produção; avanço do custo de produção, com disparada dos preço do milho usado para alimentar as galinhas; e aumento do custo das embalagens.
Agora, o preço baixou porque houve uma acomodação do mercado. “Além disso, o fim do mês, período geralmente marcado pelo menor poder de compra da população, também influenciou na redução da demanda. Em algumas praças, o aumento dos estoques intensificou ainda mais a pressão sobre as cotações, principalmente dos ovos vermelhos”, apontaram os pesquisadores do Cepea.
Entre 1º e 30 de abril, a cotação dos ovos vermelhos caiu mais de 10% no atacado na região produtora de de Santa Maria de Jetibá (ES), passando de R$ 226,99 para R$ 204 a caixa com 30 dúzias. Em fevereiro, o produto custava R$ 276.
Já na região de Bastos (SP), o preço da caixa de ovos vermelhos passou de R$ 220 para R$ 200 entre os dias 1º e 3 de abril de 2025. E, na Grande São Paulo, a cotação diminuiu de R$ 227 para R$ 200 no mês.
Em Recife, os preços da caixa dos ovos vermelhos passaram de R$ 206 para R$ 182, uma queda de 11,6% entre o primeiro e último dia de abril. Em Minas Gerais, o preços ovos vermelho cai de R$ 235 para R$ 209 a caixa.
“A pressão pela concessão de descontos nos negócios aumentou, devido à típica queda da demanda neste período do mês”, pontuaram os pesquisadores do Cepea. “Por outro lado, alguns agentes afirmam que os estoques nas granjas estão equilibrados, sem necessidade de reduções intensas nos valores”, completaram.
Impactos da produção no preço do ovo
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que, em 2024, a produção de ovos atingiu 3,83 bilhões de dúzias, avanço de 11,5% em relação ao ano anterior e um novo recorde na série histórica do Instituto, iniciada em 2012.
Segundo os pesquisadores do Cepea/USP, a onda de calor refletiu no custo de produção e na qualidade e durabilidade dos ovos.
No ano passado, os custos dos principais insumos da atividade, como milho e farelo de soja usados para alimentar as galinhas, aumentaram, enquanto a queda nos preços dos ovos comprometeu a rentabilidade dos produtores. Eles também tiveram que investir em espaços climatizados.
Associado a isso, a baixa disponibilidade da proteína no mercado interno e a demanda aquecida explicavam o encarecimento da proteína no período.
“Embora as vendas tenham se desacelerado, como é típico neste período do mês, a baixa oferta ainda sustenta os preços nas praças acompanhadas pelo Cepea. […] As médias são recordes diários reais da série do Centro. Os dados foram deflacionados pelo Índice Geral de Preços (IGP-DI) de janeiro de 2025”, apontou.