O governo federal pretende intensificar as negociações com a União Europeia para tentar reverter a decisão que excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinadas categorias de produtos de origem animal ao bloco. A medida europeia está prevista para entrar em vigor em setembro e pode afetar importantes segmentos do agronegócio brasileiro.
Durante a abertura da Bahia Farm Show, realizada em Luís Eduardo Magalhães (BA), o vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo já trabalha em conjunto com o Ministério da Agricultura para solucionar o impasse.
Segundo Alckmin, a prioridade é garantir que o Brasil volte a integrar a lista de fornecedores habilitados antes da implementação das novas regras europeias.
“O governo vai se empenhar nesse trabalho. Houve uma retirada da lista do Brasil e nós queremos que recoloque na lista e para todas as carnes”, declarou.
A decisão da Comissão Europeia atinge produtos como carne bovina, carne de frango, carne suína, mel, produtos da aquicultura, equinos e tripas. O bloco argumenta que o Brasil não apresentou informações suficientes para comprovar o cumprimento das exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
O governo brasileiro, por sua vez, sustenta que o país possui um sistema sanitário reconhecido internacionalmente e que vem adotando medidas para atender às normas exigidas pelos parceiros comerciais.
União Europeia é mercado estratégico para o agronegócio
Embora a União Europeia não seja o principal destino das exportações brasileiras de proteína animal, o mercado europeu é considerado estratégico por seu elevado valor agregado e pelos rigorosos padrões sanitários exigidos.
Em 2025, as categorias de produtos afetadas pela decisão movimentaram cerca de US$ 1,8 bilhão em exportações para o bloco europeu. Desse total, mais de US$ 1 bilhão correspondeu apenas às vendas de carne bovina.
Durante o evento, Alckmin também ressaltou avanços recentes do agronegócio brasileiro no comércio internacional. Entre eles, citou o reconhecimento da China ao status sanitário do Brasil como país livre de febre aftosa e a manutenção da carne brasileira fora das tarifas anunciadas recentemente pelos Estados Unidos.
A expectativa do governo é utilizar esses argumentos para reforçar a confiança internacional no sistema sanitário brasileiro e buscar uma solução negociada com a União Europeia antes do prazo final estabelecido para setembro.