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O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, confirmou na quinta-feira (25) que conversou por telefone com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, no último sábado (19), para discutir as tarifas de importação que o governo norte-americano pretende aplicar contra produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.

Esta foi a primeira conversa de alto nível entre os dois países desde que o presidente Donald Trump anunciou, duas semanas atrás, uma sobretaxa de até 50% sobre bens brasileiros.

Alckmin classificou o diálogo como “positivo” e disse ter exposto os impactos das medidas para os dois lados, destacando a necessidade de uma solução negociada. “A conversa foi boa, durou quase 50 minutos. Apresentamos os pontos de forma clara e destacamos o interesse do Brasil em avançar em uma agenda construtiva”, afirmou.

Segundo Alckmin, o presidente Lula orientou que as negociações se mantenham em nível técnico, sem contaminações ideológicas ou políticas. “Nosso foco deve ser evitar um cenário de perde-perde, com inflação nos EUA e retração das exportações brasileiras. Queremos transformar essa tensão em oportunidade de integração produtiva, investimentos recíprocos e avanço em temas como não bitributação”, disse.

“O Brasil nunca saiu da mesa de negociação. Não criamos esse problema, mas estamos empenhados em resolvê-lo”, reforçou Alckmin.

Veja o que Alckmin abordou na reunião

Entre os tópicos abordados na conversa entre Alckmin e Lutnick estão a complementariedade econômica entre os dois países, oportunidades de integração nas cadeias produtivas, acordos para evitar bitributação e possíveis investimentos bilaterais.

Alckmin também mencionou a importância de discutir a participação brasileira em setores estratégicos, como o de minerais críticos, mas evitou dar detalhes sobre essa pauta específica.

A iniciativa ocorre em meio à mobilização do governo federal para coordenar uma resposta às medidas unilaterais dos EUA. Alckmin lidera o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, criado para avaliar impactos e estratégias.

Ele tem se reunido com representantes de setores fortemente atingidos, como o de armas e munições, que mantém alto volume de exportações aos EUA. Na agenda de quinta-feira, Alckmin esteve com a Fiemg, a Taurus Armas, a Aniam e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).

A tensão ganhou novos contornos após a carta enviada por Trump a Lula no início de julho, em que o presidente americano menciona o ex-presidente Jair Bolsonaro — réu por tentativa de golpe de Estado — como parte da justificativa para a imposição das tarifas, e chegou a pedir anistia ao aliado político.

O Brasil levou a questão à OMC (Organização Mundial do Comércio), reiterando que sanções comerciais não podem ser instrumentalizadas para pressionar politicamente outros países.

Embora o governo brasileiro tenha sinalizado a possibilidade de adotar medidas de reciprocidade, nenhuma decisão formal foi anunciada até o momento. A expectativa é que qualquer ação só ocorra após a efetiva entrada em vigor das tarifas norte-americanas.

 

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