Servidores do IBGE iniciam greve em oposição a medidas da gestão Pochmann

Direção diz que instituto continua funcionando e que mantém diálogo com funcionários
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Por Leonardo Vieceli

(Folhapress) – Parte dos servidores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) iniciou greve em oposição a medidas da direção do órgão de pesquisas, presidido pelo economista Marcio Pochmann.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (17) em entrevista organizada pela associação sindical que representa os trabalhadores do instituto, a Assibge.

A entidade não detalhou o número de funcionários em greve, mas disse que servidores de três unidades do IBGE aderiram ao movimento.

São os casos do núcleo estadual da Bahia e de dois locais no Rio (sede e superintendência) -o órgão conta com prédios espalhados pela capital fluminense.

“No que se refere à Bahia, que já está [em paralisação] há uma semana, temos avaliação de que 40% do efetivo está em greve”, disse Clician Oliveira, diretora da Assibge.

“Aqui na sede, hoje [segunda] é o primeiro dia, então ainda vamos receber a avaliação de quantos colegas entraram. E estamos em processo de realização de assembleias por todo o país.”

Ainda segundo a Assibge, outras oito unidades estão em estado de greve, podendo interromper atividades. Integram essa lista núcleos de Sergipe, Piauí, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e outros dois do Rio (avenidas Chile e Canabarro).

Até o momento, porém, não há indicativo de que o movimento possa impactar o calendário de divulgação de pesquisas do instituto, afirmou a associação sindical.

Procurada pela reportagem, a gestão do IBGE disse que o órgão segue funcionando normalmente e cumprindo o seu plano de trabalho.

“A direção do instituto mantém diálogo permanente com seus servidores, sempre nos espaços institucionais adequados e dentro dos marcos legais e administrativos vigentes”, declarou.

A greve em estágio inicial marca um novo capítulo da crise interna que se arrasta no IBGE desde 2024.

À época, a Assibge começou a criticar projetos da gestão Pochmann como a criação de uma fundação, a IBGE+, que poderia produzir trabalhos para a iniciativa privada.

A IBGE+ não avançou após as críticas de servidores e foi considerada irregular no início deste ano pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

Mais recentemente, o sindicato passou a questionar outras medidas que chama de autocráticas e ilegais.

A Assibge cita, por exemplo, alterações na remuneração de agentes de coleta de dados, no regime de trabalho de servidores que ingressaram no último CNU (Concurso Público Nacional Unificado) e na progressão de carreiras.

A associação sindical diz que a sua atual diretoria foi eleita em outubro do ano passado, mas ainda não foi recebida por Pochmann.

“Discussões que afetam direitos e condições de trabalho devem ser discutidas com aqueles que são afetados”, afirmou Clician.

A direção do IBGE, por sua vez, disse que as alterações contestadas pelo sindicato têm como objetivo assegurar a modernização institucional, o fortalecimento das carreiras e a adequada organização do trabalho no órgão, preservando a capacidade do instituto de cumprir sua missão de Estado.

“O compromisso da direção permanece sendo garantir a continuidade e a qualidade da produção das estatísticas e informações geográficas oficiais, fundamentais para o conhecimento da realidade brasileira e para a formulação e avaliação de políticas públicas”, completou.

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