A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, criticou, nesta sexta-feira (18), a recente ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Em entrevista ao ICL Notícias 1ª edição, a ministra disse que se de um episódio em que a política internacional foi capturada por uma visão ideológica e personalista, com consequências diretas para os pequenos empresários brasileiros.
“Estamos vendo uma potência global utilizar seu poder econômico para pressionar o Brasil com base em preferências ideológicas”, criticou. “Isso não é apenas uma questão de tarifas. É uma ameaça à nossa soberania”, completou, referindo-se à carta de Donald Trump atribuindo as tarifas à suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ela classificou como grave o fato de um parlamentar brasileiro — no caso, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente — ter participado ativamente de articulações no exterior que resultaram em medidas prejudiciais ao país. “É inacreditável ver setores da política agindo contra os próprios interesses nacionais. Parece não importar a economia, os empregos, a miséria. O que importa é impor uma visão de mundo.”
Bolsonaro com tornozeleira eletrônica
A entrevista com a ministra coincidiu com o momento em que Jair Bolsonaro era encaminhado à sede da Polícia Federal, em Brasília, para colocar tornozeleira eletrônica. Ela se manifestou sobre o andamento das investigações que envolvem o ex-presidente, ressaltando que o uso do dispositivo é consequência de um processo judicial que “já se arrasta há tempo demais”.
Para Tebet, trata-se de um episódio grave: “Estamos diante de uma tentativa de golpe de Estado, um atentado direto à democracia e aos valores sagrados de uma sociedade democrática e soberana.”
Ela lembrou que os sinais de ameaça à democracia começaram ainda no período eleitoral, com o incentivo a movimentos antidemocráticos, disseminação de fake news sobre fraudes nas urnas, bloqueios de estradas e até mesmo atentados, como a bomba nas imediações do Aeroporto de Brasília.
“Que bom que vivemos em uma democracia onde até os que atentam contra ela têm direito a um processo legal para apresentar sua defesa”, afirmou.
Contudo, a ministra ressaltou que, agora, o caso já não pertence mais à esfera da política, e sim da Justiça. “Confio plenamente na nossa legislação. Como professora de Direito, sei que o devido processo legal está sendo seguido. Há indícios sérios: tentativa de fuga, obstrução das investigações, interferência estrangeira — inclusive com atuação de um deputado federal, filho de um dos acusados. Ninguém está acima da lei”, afirmou.
Valores inegociáveis
Simone Tebet ainda fez um apelo ao senso de responsabilidade e de patriotismo. “Precisamos lembrar que existem valores inegociáveis: a soberania nacional, a independência dos poderes e o respeito à Constituição”.
Ela concluiu com um recado direto: “Política não pode se colocar acima do bem e do mal. Temos leis firmes, instituições fortes e um povo que já provou que não aceita retrocessos. Quem decide o que é certo ou errado para o Brasil é o povo brasileiro, dentro do que está previsto na lei — e não forças externas ou interesses pessoais disfarçados de ideologia”.
Veja a entrevista completa de Simone Tebet no vídeo abaixo: