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O governo Lula 3 chega ao fim de 2025 com resultados econômicos e sociais que reforçam o discurso oficial de recuperação e reconstrução. A queda do desemprego, a desaceleração da inflação, o crescimento acima do esperado do PIB (Produto Interno Bruto) e a redução da desigualdade contrastam com um ambiente político adverso no Congresso Nacional e com a desconfiança persistente de parte do mercado financeiro.

A avaliação no Planalto é de que os avanços, embora custosos politicamente, criam as bases para a disputa eleitoral de 2026, quando o governo pretende transformar resultados econômicos e sociais em capital político.

Inflação sob controle

A inflação, principal foco de preocupação ao longo deste ano, dá sinais de acomodação. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), no acumulado em 12 meses, chegou a 4,46% em novembro, movimento que levou o Banco Central a reduzir significativamente a probabilidade de estouro da meta pela primeira vez sob Lula 3, graças à queda nos preços dos alimentos. A expectativa oficial é de encerramento de 2025 dentro do intervalo de tolerância.

No crescimento econômico, o cenário também é mais favorável que o previsto no início do ano. O Banco Central elevou a projeção de expansão do PIB de 2% para 2,3%, impulsionada sobretudo pela agropecuária, contrariando análises mais pessimistas feitas por agentes do mercado financeiro.

Emprego, renda e desigualdade menor

Os indicadores do mercado de trabalho são um dos principais trunfos do governo. A taxa de desemprego atingiu 5,4% no trimestre encerrado em outubro, o menor nível desde o início da série histórica em 2012.

A melhora se reflete também na renda e na desigualdade. Dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram queda acumulada de 18% na desigualdade entre 1995 e 2024, com crescimento de cerca de 70% da renda domiciliar per capita no período, alcançando R$ 2.015 em 2024. Para o Planalto, esses números evidenciam o impacto direto das políticas públicas sobre a vida da população.

Arrecadação recorde sustenta política econômica

A melhora dos indicadores veio acompanhada de forte aumento da arrecadação. Até novembro, praticamente todos os tributos apresentaram crescimento, segundo a Receita Federal. Em outubro, a arrecadação atingiu o maior valor da série histórica para o mês, com alta real de 5,6% em relação ao ano anterior. No acumulado do ano, o total chegou a R$ 2,367 trilhões, outro recorde.

A oposição atribui os resultados ao aumento da carga tributária. O governo rebate afirmando que as mudanças atingem majoritariamente as faixas de renda mais altas e setores específicos, preservando os mais vulneráveis. A estratégia está alinhada ao discurso de Lula de que gastos sociais são investimentos e produzem retorno econômico e social.

Mercado financeiro mantém desconfiança

Apesar dos números positivos, o mercado financeiro segue cauteloso. A resistência se concentra no temor de desequilíbrio fiscal, diante da ampliação de gastos sociais e do discurso crítico às políticas de austeridade. O governo, por sua vez, sustenta que o ajuste será feito “de forma responsável” e que o fortalecimento da economia real garante sustentabilidade às contas públicas.

Além disso, o campo político exigiu muita negociação por parte do governo. A relação com o Congresso continua sendo o principal ponto de fragilidade, especialmente depois da apropriação indevida, por parte do Centrão, do Orçamento federal a partir do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Com minoria nas duas Casas, o Planalto enfrenta dificuldades para aprovar sua agenda e lida com pautas-bomba e votações inesperadas.

Ainda assim, projetos considerados estratégicos foram aprovados, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, além de medidas de redução de tarifas de energia e gás. As vitórias, porém, vieram acompanhadas de negociações intensas, concessões e derrotas pontuais em outras matérias.

Contudo, a aprovação de pautas contrárias ao Executivo e a condução de votações de surpresa reforçaram o clima de instabilidade entre os Poderes. No Planalto, a avaliação é de que a imprevisibilidade do Congresso dificulta a governabilidade e impõe custos adicionais à articulação política.

Horizonte para 2026

O governo já projeta 2026 como o momento de colher politicamente os resultados econômicos e sociais. A estratégia passa por ampliar a base no Legislativo e reforçar o discurso de que a governabilidade depende da sintonia entre Executivo e Congresso.

Em reuniões internas, Lula tem classificado o cenário atual como “amplamente favorável” e definido o próximo ano como o “ano da entrega”, com inauguração de obras, consolidação de programas sociais e intensificação da comunicação dos resultados.

Para dar uma força na estratégia, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já confirmou que pretende deixar a pasta no ano que vem para coordenar a campanha de Lula à reeleção. Em seu lugar, deve ficar Dario Durigan, atual número dois da Fazenda.

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