STF marca julgamento do orçamento secreto para 4ª feira. Lula conta com a decisão para minguar poder de Arthur Lira

Instituído pelo governo de Jair Bolsonaro, mecanismo deu enorme poder de barganha ao presidente da Câmara para decidir destinação de recursos
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O orçamento secreto, moeda de troca instituída pelo governo de Jair Bolsonaro para obter apoio do Congresso Nacional, pode estar com os dias contados. A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Rosa Weber, marcou o julgamento das ações sobre a constitucionalidade do orçamento secreto (emendas de relator RP-9) para esta quarta-feira (7). É com a decisão do órgão que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está contando para pôr fim a esse mecanismo de distribuição de recursos a parlamentares que fere os princípios da transparência e da distribuição igualitária.

Porém, conforme publicado no site Metrópoles, mesmo com a marcação do julgamento das emendas de relator, o caso pode não ser analisado na quarta, pois há outras ações na fila. Apesar disso, o que se sabe até agora é que os ministros do STF firmaram um consenso para declarar, ainda neste ano, que a modalidade sem transparência é inconstitucional.

O pagamento das emendas de relator já haviam sido suspensos por Rosa Weber no ano passado, quando ela pediu ao governo Bolsonaro que divulgasse um relatório com o detalhamento dos pagamentos. Após um pedido dos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a presidente do STF liberou a volta do pagamento.

Nos bastidores de Brasília, o julgamento do STF tem sido aguardado com bastante ansiedade, principalmente pela equipe de transição de Lula. De acordo com o blog da jornalista Andréia Sadi, no porta de notícias G1, esse tema dominou os bastidores da transição com Lula em Brasília, na semana passada e vai dominar os próximos dias, mais até que a tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Transição, que entra na pauta do Senado, também na quarta-feira (7).

Segundo a jornalista, um aliado de Lula disse que “a dinâmica de forças na política vai mudar completamente, vai ser um terremoto se o STF derrubar o orçamento secreto”.

Durante a campanha, presidente eleito já dizia que pretendia acabar com orçamento secreto

Para viabilizar a PEC da Transição, que amplia a margem do teto de gastos para que Lula possa incluir promessas de campanha, como a manutenção do Auxílio Brasil (Bolsa Família) em R$ 600, Lula teve que negociar com o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o do Senado, Rodrigo Pacheco, para colocar a proposta em tramitação e, assim, ter tempo de iniciar o seu governo com o mínimo de governabilidade.

Embora seja um político habilidoso para negociar com divergentes, Lula espera que a decisão do STF diminua o poder de barganha de Lira, quem, segundo o próprio petista disse durante a campanha, tem “poder imperial” e o orçamento nas mãos. Conforme o blog da Sadi, a ideia é tirar o status de primeiro-ministro dado a Lira durante o governo Bolsonaro.

Ainda de acordo com a jornalista, Lula teria conversado ao longo da semana passada com ministros de tribunais, senadores, deputados, advogados, políticos para medir a temperatura do assunto. Nessas conversas, os petistas teriam sido alertados de que o governo de transição deu um sinal trocado para o STF de que, durante as negociações pela PEC da Transição, estaria de acordo com o orçamento secreto. Mas aliados de Lula negam que a aproximação dele com Lira seja um aval às emendas de relator.

Na sexta-feira passada (2), o presidente eleito declarou, antes de embarcar para São Paulo, que as negociações com o parlamentares não perpassou pela discussão do orçamento secreto, moeda de troca instituída por Bolsonaro para obter apoio do Congresso. Segundo Lula, a PEC não tem um valor mínimo e nem espaço para discutir orçamento secreto.

“Dentro da PEC da Transição não há espaço para se discutir emendas. Eu fui deputado, sempre fui favorável a que deputado tenha emenda, mas é importante que ela não seja secreta. É importante que a emenda seja dentro da programação de necessidade do governo. E que essa emenda seja liberada dentro do interesse do governo. Não pode continuar da forma que está”, disse.

Por outro lado, Lula deve buscar meios de obter o apoio de parlamentares permitindo, por exemplo, que partidos hoje na oposição integrem ministérios ou secretarias em seu governo. Afinal, uma das marcas de Lula é buscar o entendimento com os divergentes para garantir a governabilidade.

Redação ICL Economia
Com informações do Portal Metrópoles e do G1

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.