A dois dias da entrada em vigor do tarifaço dos Estados Unidos sobre importações brasileiras, o governo Lula reconhece que são mínimas as chances de reverter a taxação de 50% imposta por Donald Trump. Diante do impasse diplomático, o Palácio do Planalto, segundo reportagem do jornal O Globo, corre para finalizar um pacote de socorro a empresas atingidas, que deve ser anunciado até quarta-feira (6), quando as tarifas passam a valer oficialmente.
Apesar de tentativas de reabertura de diálogo nas últimas semanas, interlocutores do governo Lula avaliam que o prazo é curto e que a decisão da Casa Branca já está consolidada.
No domingo (3), o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, reforçou que os termos anunciados são “praticamente definitivos”, descartando negociações bilaterais imediatas, inclusive com o Brasil.
Governo Lula evita contato direto com Trump
Em discurso no encontro nacional do PT no fim de semana, o presidente Lula criticou o uso de tarifas como ferramenta política e afirmou que o Brasil não aceitará condicionamentos externos que envolvam temas internos, como o processo contra Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal) — um dos pontos citados por Trump para justificar a medida.
Para Lula, o momento exige foco em medidas concretas de apoio ao setor privado nacional, antes de qualquer tentativa de conversa direta com o líder americano.
O plano de mitigação em elaboração deve incluir linhas especiais de crédito pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) e medidas para aliviar a folha de pagamento das empresas impactadas, segundo fontes do governo. A expectativa é de que o anúncio seja feito por Lula em pronunciamento em rede nacional.
Impacto econômico e cenário de incerteza
Mesmo com exceções anunciadas pelos EUA — cerca de 700 produtos ficaram de fora da tarifa de 50% — o governo calcula que mais de 55% das exportações brasileiras para o mercado americano em valor serão diretamente afetadas. A percepção no setor privado é que o impacto pode ser significativo, principalmente em segmentos industriais e de alimentos processados.
Com o espaço para negociação bilateral reduzido, o governo aposta na pressão de empresas americanas que também serão prejudicadas, além da atuação no âmbito da Seção 301, dispositivo da legislação comercial dos EUA usado por Trump para justificar o tarifaço contra o Brasil.
A medida está ancorada em supostas restrições a big techs, favoritismo tarifário a outros países e falhas regulatórias brasileiras.
A apuração baseada na Seção 301 pode durar meses e, segundo fontes diplomáticas, representa um risco maior do que as tarifas por ordem executiva.
Caso os EUA formalizem que o Brasil adota práticas comerciais desleais, a reversão das medidas pode se tornar quase inviável, mesmo em um eventual governo pós-Trump.