Tarifas da China contra os EUA começam a valer; consumidores americanos pagam a conta

O governo chinês impôs alíquotas de 10% e 15% sobre importações dos EUA. A medida pode afetar cerca de U$ 14 bilhões em produtos
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O revide da China contra tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a valer no domingo (9). O governo chinês impôs alíquotas de 10% e 15% sobre importações dos EUA. A medida pode afetar cerca de U$ 14 bilhões em produtos.

A China determinou tarifas de 15% para carvão e Gás Natural Liquefeito (GNL) dos EUA e 10% para petróleo bruto, equipamentos agrícolas e alguns automóveis. Esses são produtos essenciais na economia norte-americana.

Trump iniciou a guerra comercial contra seus principais parceiros comerciais, no caso, China, Canadá e México, afirmando que o governo chinês não fazia o suficiente para interromper o fluxo de drogas ilícitas para os Estados Unidos. Porém, a questão é que a balança comercial dos Estados Unidos com esses países é deficitária. Ou seja, o país importa mais do que exporta.

Com México e Canadá, o governo Trump conseguiu negociar uma suspensão das tarifas por 30 dias. Em contrapartida, obteve do governo mexicano o compromisso de ampliar a fiscalização da fronteira entre os países para evitar a imigração irregular e, dos canadenses, firmou um pacto de maior controle contra o tráfico de drogas.

Ainda ontem, Trump anunciou, que vai cobrar, a partir desta segunda-feira (10), tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio, decisão que afeta o Brasil. Ele divulgou a medida a repórteres no avião presidencial, durante viagem a Nova Orleans para assistir ao Super Bowl.

Trump disse que “qualquer aço que entrar nos Estados Unidos terá uma tarifa de 25%”. Depois, complementou que o alumínio também seria taxado.

Durante seu primeiro mandato, ele impôs tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, mas depois concedeu a vários parceiros comerciais cotas isentas de impostos, incluindo Canadá, México, e Brasil.

Além de tarifas, China vai iniciar investigação antitruste contra o Google

A China também já antecipou que pretende iniciar uma investigação antitruste contra a Alphabet Inc, dona do Google. Também incluiu a PVH Corp, holding de marcas como Calvin Klein, e a empresa de biotecnologia americana Illumina em sua “lista de entidades não confiáveis”. Além disso, a China recorreu à OMC (Organização Mundial do Comércio) contra Trump, órgão que estabelece regras para o comércio global.

Embora tenha imposto as tarifas em resposta a Trump, o governo chinês disse estar aberto a negociar. O governo Trump também deu sinais nesse sentido na semana passada. Porém, diferentemente do que fez com Canadá e México, ainda não houve negociação entre os países.

Durante seu primeiro mandato, em 2018, Trump iniciou uma guerra comercial de dois anos com a China devido ao enorme superávit comercial em favor dos chineses, com tarifas recíprocas sobre centenas de bilhões de dólares em bens, desestruturando cadeias globais de suprimento e prejudicando a economia mundial.

Trump advertiu que poderia aumentar as tarifas sobre a China ainda mais, a menos que Pequim interrompesse o fluxo de fentanil, um opioide mortal, para os Estados Unidos.

“Espero que a China pare de nos enviar fentanil e, se não o fizerem, as tarifas vão subir substancialmente”, disse Trump na segunda-feira passada.

Os EUA são uma fonte relativamente pequena de petróleo bruto para a China, representando 1,7% das suas importações no ano passado, no valor de cerca de US$ 6 bilhões.

Quem paga a conta

Até aqui, Trump vem seguindo a cartilha de seu primeiro mandato. Agora, usa o tarifaço como estratégia de combate à imigração ilegal e ao tráfico de drogas.

A disputa comercial entrem as potências evidencia o uso de tarifas como instrumento econômico para proteger mercados nacionais de bens estrangeiros. Os impostos sobre importações tornam os produtos estrangeiros mais caros, beneficiando, em tese, a indústria nacional e garantindo maior competitividade para fabricantes domésticos. Além disso, as tarifas geram receita para os governos.

Nesse modelo, é aplicado um percentual sobre o preço do produto importado. Já as tarifas “específicas” são determinadas por unidade, peso ou volume da mercadoria, independentemente do seu valor comercial.

As tarifas são pagas no momento da importação. O imposto é cobrado diretamente do importador, assim que a mercadoria entra no país, aumentando o custo da operação comercial. Ou seja, é esperado que haja uma reação dos importadores norte-americanos.

No final, os custos das tarifas são repassados ao consumidor, já que os importadores incorporam esses encargos aos preços de venda, incluindo despesas com transporte e seguro. Isso encarece os produtos no mercado interno.

A expectativa é que as tarifas de Trump elevem o custo de vida dos norte-americanos. Apesar da promessa de cortes de impostos, as políticas tarifárias do republicano podem gerar impactos negativos, como o aumento da inflação. O The Conference Board estima que a alta pode chegar a 0,6 ponto percentual em um ano.

Entre os produtos mais afetados estão alimentos, energia, vestuário e autopeças. Como a classe média e as famílias de baixa renda destinam uma parcela maior da renda a esses produtos, o impacto sobre esses grupos tende a ser maior.

 

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