O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de termômetro do Produto Interno Bruto (PIB), registrou crescimento de 1,3% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (18) pelo Banco Central. O resultado, calculado com ajuste sazonal e comparado ao quarto trimestre de 2025, indica uma aceleração da economia brasileira no início do ano.
No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador registra crescimento de 1,8%.
Foi o segundo resultado positivo, após a retração de 0,82% no terceiro trimestre de 2025.
No trimestre anterior, encerrado em dezembro, o indicador havia avançado 0,37%, em ritmo significativamente menor.
Essa também foi a maior alta desde o terceiro trimestre de 2024, quando o indicador avançou 1,42%.
Porém, no mês de março, o IBC-Br recuou 0,7% em relação a fevereiro deste ano. Os números mostram variações negativas de 0,2% na agropecuária, também de 0,2% na indústria e redução de 0,8% em serviços.
Segundo o Banco Central, excluindo a agropecuária, o índice teria um recuo ainda maior, de 0,9%, no mês de março.
Indústria lidera crescimento no trimestre
Mas, no trimestre, os dados apontam expansão em todos os principais setores da economia, com destaque para a indústria, que registrou crescimento de 1,3% no período. A agropecuária e o setor de serviços avançaram 1%.
O desempenho disseminado reforça a percepção de que a atividade econômica segue aquecida, apesar do ambiente de juros elevados mantido pelo Banco Central para conter a inflação.
O IBC-Br reúne estimativas para agropecuária, indústria, serviços e arrecadação de impostos, funcionando como um termômetro da atividade econômica antes da divulgação oficial do PIB pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), prevista para 29 de maio.
Crescimento em meio ao ano eleitoral
A aceleração da economia ocorre em um contexto de ano eleitoral e de ampliação de estímulos por parte do governo federal. Entre as medidas recentes estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, a liberação de recursos do FGTS e a oferta de linhas de crédito com juros mais baixos.
Embora os indicadores do primeiro trimestre apontem maior dinamismo da economia, as projeções do mercado financeiro ainda indicam desaceleração para o resultado consolidado de 2026. A expectativa é de crescimento de 1,86% neste ano, abaixo dos 2,3% registrados em 2025. Já o Banco Central projeta expansão de 1,6%.
BC mantém foco no controle da inflação
O Banco Central tem reiterado que a desaceleração gradual da atividade econômica faz parte da estratégia para controlar a inflação. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta semana, a autoridade monetária afirmou que o chamado “hiato do produto” permanece positivo — sinal de que a economia ainda opera acima de seu potencial de crescimento sem gerar pressões inflacionárias mais intensas.
Nesse contexto, indicadores como o IBC-Br ganham relevância para as decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. Em tese, uma economia mais aquecida pode dificultar cortes nos juros ao ampliar riscos inflacionários.
Diferenças entre IBC-Br e PIB
Apesar de ser conhecido como uma espécie de termômetro do PIB, o IBC-Br possui metodologia diferente da utilizada pelo IBGE. O indicador do Banco Central considera a evolução dos setores produtivos e dos impostos, mas não incorpora o lado da demanda — como consumo das famílias, investimentos e gastos do governo — componente presente no cálculo oficial do PIB.
Ainda assim, o índice é acompanhado de perto por analistas e pelo mercado financeiro por oferecer sinais antecipados sobre o ritmo da economia brasileira.