Trump eleva tom contra o Brics e ameaça com novas tarifas a aliados do bloco

Anúncio de medidas protecionistas intensifica tensões comerciais, enquanto líderes do bloco pedem reformas no sistema financeiro global
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a adotar uma retórica agressiva contra países alinhados ao Brics, bloco originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia e África do Sul. O republicano anunciou que imporá uma tarifa adicional de 10% a nações que apoiarem políticas consideradas “antiamericanas” propostas pelo grupo. O prazo para evitar as sanções foi estendido para 1º de agosto, após sucessivos adiamentos desde abril.

Trump tem criticado abertamente o Brics por desafiar a influência dos EUA em fóruns globais. A nova ameaça tarifária vem no momento em que o grupo realiza uma cúpula de dois dias no Rio de Janeiro, reforçando a defesa do multilateralismo, a crítica às tarifas unilaterais e a proposta de reformar instituições como o FMI (Fundo Monetário Internacional).

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“Não haverá exceções a essa política”, escreveu Trump em seu perfil oficial na Truth Social.

A Casa Branca afirmou que cerca de 15 países devem receber cartas esta semana com os termos para evitar as novas alíquotas. Até agora, apenas Reino Unido e Vietnã firmaram acordos comerciais com os EUA.

Apesar de declarações conflitantes entre autoridades americanas sobre o cronograma das tarifas, o Secretário de Comércio Howard Lutnick confirmou que as medidas entram em vigor em 1º de agosto, caso não haja avanço nas negociações.

Brics responde a Trump de modo contundente

A resposta do Brics veio em tom firme. Em declaração conjunta, os ministros das finanças do bloco classificaram as tarifas como ameaça à economia global e cobraram maior representatividade nas decisões econômicas internacionais.

O Brics também condenou os ataques recentes dos EUA e de Israel ao Irã, reforçando o discurso de respeito ao direito internacional.

Especialistas alertam para os impactos geopolíticos e comerciais da iniciativa americana. “Afastar-se da China, por exemplo, é extremamente difícil, dada sua posição dominante em setores estratégicos como veículos elétricos e produção de terras raras”, afirmou Andrew Wilson, da Câmara Internacional do Comércio.

Com a expansão recente do Brics — que agora inclui países como Irã, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes —, o grupo representa mais da metade da população mundial e tenta consolidar-se como contraponto ao eixo EUA-Europa.

Em 2024, Trump chegou a ameaçar uma tarifa de 100% caso o bloco avançasse com a criação de uma moeda comum alternativa ao dólar.

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