Tarifas de Trump: Motta e Alcolumbre silenciam; governistas culpam família Bolsonaro

Enquanto presidentes da Câmara e do Senado não comentam, parlamentares de oposição e governistas trocam acusações
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A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto gerou forte repercussão no meio político e econômico brasileiro — com uma notável exceção: o silêncio das principais lideranças do Congresso Nacional.

Enquanto ministros do governo Lula, parlamentares da base e da oposição se manifestaram ao longo da quarta-feira (9), os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), evitaram comentar o tema. Nenhum dos dois se pronunciou durante as sessões legislativas ou respondeu à imprensa, mesmo após serem procurados.

O anúncio de Trump, que cita diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e classifica o julgamento dele como uma “vergonha internacional”, foi recebido com indignação por lideranças governistas.

Lula, em nota oficial, afirmou que o Brasil não aceitará ser tutelado e que a condução dos processos judiciais é de responsabilidade exclusiva da Justiça brasileira. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, também conversou com Lula e acordou que a reação institucional será liderada pelo Executivo.

Tarifas de Trump: governistas acusam família Bolsonaro

Parlamentares aliados do Planalto interpretaram a medida como interferência política externa e retaliação direta à atuação da Justiça brasileira contra Bolsonaro, atualmente inelegível e réu no STF (Supremo Tribunal Federal).

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, acusou diretamente Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Tarcísio de Freitas de articularem a ofensiva internacional. Senadores como Humberto Costa (PT-PE) e deputados como Ivan Valente ((PSOL-SP) e Paulo Pimenta (PT-RS) também reagiram com duras críticas, classificando os apoiadores de Trump como “traidores” e “quinta-coluna”.

Oposição culpa “política ideológica” de Lula

Por outro lado, integrantes da oposição atribuíram a tarifa à política externa “ideológica” do governo Lula. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) ironizou o alinhamento diplomático do presidente com adversários de Trump, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a medida é fruto da “hostilidade” do atual governo à maior democracia do mundo.

A tensão se estendeu ao plenário da Câmara, com embates entre governistas e bolsonaristas. Um momento de maior tumulto ocorreu quando o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) discursava e foi interrompido em meio a uma confusão próxima ao deputado André Janones (Avante-MG).

A bancada ruralista também reagiu, alertando para os impactos econômicos da nova alíquota, sobretudo no agronegócio, câmbio e competitividade das exportações. Em nota, pediu uma resposta “firme e estratégica”.

STF

Nos bastidores, a avaliação do STF é de que a medida de Trump tem caráter político e não deve interferir diretamente nos processos em andamento na Corte. O governo brasileiro, por meio do Ministério do Desenvolvimento, afirmou que não esperava a tarifa — e que as negociações com os EUA estavam centradas em uma proposta global de 10% para países do Brics, grupo originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

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