O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (23) que Washington está disposto a oferecer suporte à economia da Argentina, caso seja necessário. Apesar disso, avaliou que o país sul-americano não precisaria de um resgate imediato.
A fala ocorreu em Nova York, durante um encontro com o presidente argentino Javier Milei, realizado nos bastidores da Assembleia Geral da ONU. Além de garantir apoio, Trump elogiou o aliado e manifestou apoio público à sua reeleição.
“Vamos ajudá-los. Não acho que precisem de um resgate”, disse Trump a repórteres em Nova York. “Scott (o secretário do Tesouro, Scott Bessent) está trabalhando com o país deles para que consigam boas dívidas e tudo o que é necessário para tornar a Argentina grande novamente”, acrescentou.
Durante a reunião, Trump entregou a Milei uma versão impressa de uma publicação que havia feito na Truth Social. No texto, chamou o presidente argentino de “líder fantástico” e destacou seus avanços “em velocidade recorde”. Milei reagiu com entusiasmo ao gesto, classificando-o como um presente simbólico.
Reação positiva nos mercados
Após o encontro, o peso argentino valorizou 3% frente ao dólar, cotado a 1.364,79, enquanto o índice S&P Merval avançava 1,36%. O movimento deu continuidade ao otimismo já registrado no dia anterior, quando declarações de Bessent provocaram forte alta dos ativos argentinos.
Paralelamente, o Banco Mundial anunciou que pretende acelerar o pacote de US$ 12 bilhões em apoio à Argentina, destinando até US$ 4 bilhões nos próximos meses em financiamentos e investimentos privados. Segundo a instituição, os recursos servirão para apoiar reformas estruturais e impulsionar o crescimento de longo prazo.
Desafios da economia no governo Milei
Apesar do alívio momentâneo, a Argentina enfrenta grandes dificuldades. Na semana passada, o Banco Central argentino precisou vender US$ 678 milhões em um único dia para sustentar o peso, a maior intervenção desde 2019. No total, foram US$ 1,1 bilhão vendidos em apenas três dias.
Economistas alertam que esse tipo de operação pode acelerar o esgotamento das reservas internacionais e comprometer o pagamento da dívida de curto prazo.
Além da pressão econômica, o governo Milei encara turbulências políticas. Denúncias de corrupção envolvendo Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, abalaram a base de apoio. Áudios vazados acusam Karina e aliados de exigirem propina de laboratórios em contratos de medicamentos.