Por Cleber Lourenço
A senadora Eliziane Gama (PT-MA) está sendo cotada para assumir o Ministério dos Direitos Humanos no quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Evangélica, a parlamentar é considerada um nome que também pode ajudar o presidente a ampliar o diálogo com esse segmento religioso. Segundo apuração do ICL Notícias, Eliziane recebeu de integrantes da coordenação da campanha presidencial a garantia de que terá espaço na próxima gestão.
A senadora voltou a conversar com coordenadores da campanha de Lula na quarta-feira (28), quando foi reafirmada a intenção de incorporá-la ao governo. A possibilidade de assumir o Ministério dos Direitos Humanos está entre as alternativas discutidas, mas ainda não houve definição sobre o cargo.
A eventual escolha teria um significado político além da composição ministerial. Eliziane reúne duas características relevantes para o governo: a identificação com o eleitorado evangélico e a atuação na campanha de reeleição de Lula, mesmo depois de perder a disputa por um novo mandato no Senado.
Sua presença no primeiro escalão poderia representar mais um movimento de aproximação do Planalto com lideranças evangélicas, segmento no qual o presidente enfrenta resistências políticas. Isso não significa, porém, que a indicação esteja decidida ou que a aproximação religiosa tenha sido confirmada como critério para a escolha.
As definições sobre os cargos devem ficar para depois do feriado, período em que Lula pretende descansar antes de retomar as negociações para a formação da equipe ministerial.
Da derrota eleitoral à campanha nas redes
Apesar de não conseguir renovar o mandato, Eliziane permaneceu mobilizada pela reeleição de Lula. Entre o primeiro e o segundo turno, a senadora, que também é jornalista, passou a produzir vídeos diários para o Instagram e o X, nos quais analisava propostas do programa de governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os conteúdos abordaram possíveis consequências das propostas da candidatura adversária para programas sociais e serviços públicos, especialmente Bolsa Família, Farmácia Popular e Sistema Único de Saúde (SUS).
Mesmo depois da derrota eleitoral, Eliziane comandou a comunicação da campanha no estado.
A entrada da senadora no governo, segundo as informações obtidas pela reportagem, é tratada como encaminhada nas conversas políticas. A escolha do Ministério dos Direitos Humanos, entretanto, continua em discussão e dependerá da decisão de Lula sobre a composição do primeiro escalão.