Em último ato com apoiadores na Paulista, Lula compara eleição atual à de 1989

Segundo Lula, na mobilização no segundo turno, a sociedade mostrou que a eleição não é coisa só de partido
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Por Arthur Guimarães de Oliveira, Bárbara Blum, Catia Seabra, Juliana Arreguy e Mariana Brasil

(Folhapress) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparou a eleição atual à de 1989 ao chegar ao seu último ato de campanha, na tarde deste sábado (24), na avenida Paulista, em São Paulo.

“Nós estamos terminando uma campanha que, possivelmente, só foi similar, nesse segundo turno, à campanha de 1989”, disse ele a jornalistas, mencionando a primeira eleição presidencial que disputou.

Lula chegou ao local por volta de 15h52 acompanhado dos ministros Guilherme Boulos (Secretaria Geral) e Dario Durigan (Fazenda) e conversou com a imprensa antes de subir em um trio elétrico posicionado próximo à esquina com a Alameda Campinas.

O presidente afirmou estar convencido de que vencerá a eleição e disse que a sociedade deseja mudanças, mas mudanças estruturais. Segundo Lula, na mobilização no segundo turno, a sociedade mostrou que a eleição não é coisa só de partido.

Ele também criticou o adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), a quem acusou de mentir e de não ter compromisso com a verdade. Lula disse que, após tantas campanhas eleitorais, nunca imaginou enfrentar um candidato com esse perfil.

Último ato de Lula na Av. Paulista
Último ato de Lula na Av. Paulista

“Jamais pensei em disputar eleição com um miliciano, um desqualificado, como o rapaz que está disputando a Presidência da República”, disse o presidente.

No trio, que começou a andar por volta das 16h em direção à Consolação, Lula é acompanhado pela primeira-dama Janja, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), e pelos ex-ministros Fernando Haddad (PT), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), todos derrotados na eleição em São Paulo — Haddad ao governo estadual e as outras duas ao Senado.

Apoiadores do petista começaram a chegar na Paulista por volta de meio-dia, e o trecho em frente ao Masp já estava abarrotado antes das 14h, horário divulgado para o início do evento. Lula chegou mais tarde porque participou, pela manhã, de outro ato no Rio de Janeiro.

Quando o trio elétrico de Lula saiu, ao menos 12 quarteirões da avenida eram ocupados por manifestantes, entre as estações Consolação e Brigadeiro do metrô, ocupando os dois sentidos da via. Além do trio do presidenciável, há carros de som com influenciadores digitais e outras autoridades.

O trio de Lula enfrentou dificuldades para seguir pela avenida diante da quantidade de manifestantes. Em outro carro de som, um homem pedia que a multidão desse espaço para que o veículo com o presidente pudesse passar.

Participam do ato os ministros Leonardo Barchini (Educação), Marcio Elias (Cultura) e Paulo Pereira (Empreendedorismo), os deputados federais eleitos Erika Hilton (PSOL-SP), Jilmar Tatto (PT-SP), Tabata Amaral (PSB-SP) e Guilherme Cortez (PSOL-SP), o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), além de nomes tradicionais do PT, como José Dirceu, 80, que não conseguiu se eleger deputado federal, e Eduardo Suplicy, 85, reeleito deputado estadual no estado.

O deputado estadual André Janones (Rede-MG) enviou um áudio para o público pedindo que acredite na virada. Criador do “Exército do Lula”, canal com mais de 10 milhões de participantes, ele utilizou o bordão “exploda” para se comunicar com os presentes.

A faixa etária do público é diversa. Jovens e mais velhos ostentam adesivos com os dizeres “Gostosas com Lula”, “Sou do exército do Lula”, “Lula é tetra”, e empunham bandeiras e cartazes de apoio a Lula e com críticas a Flávio e ao pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As mensagens mais vistas pela reportagem foram as de defesa da democracia e sobre a pandemia e suas vítimas, além de bandeiras de movimentos sociais como MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), UJS (União da Juventude Socialista) e outros.

A concentração é marcada, ainda, pela bateção de leques vermelhos e nas cores do arco-íris, símbolo da comunidade LGBTQIA+. Os objetos são amplamente empregados pela comunidade e vêm da cultura ballroom.

A Paulista também foi o palco da caminhada das vésperas do primeiro turno, quando o petista lotou a via ao lado de seus então candidatos às vagas estaduais.

Mais cedo, em caminhada em Copacabana, no Rio de Janeiro, apoiadores levaram cartazes em resposta à expressão “nove dedos”, usada por Flávio para atacar Lula no debate presidencial da Globo na noite desta sexta (23).

O presidente disse que o candidato do PL é o adversário de “mais baixo nível” que já enfrentou em uma eleição e citou mais uma vez o caso da menina Ana Clara Gomes Machado, morta aos cinco anos por um disparo atribuído a um policial militar defendido por Flávio na Justiça.

Avaliação de aliados do petista sobre o debate da noite anterior foi de que Lula ganhou por pouco, mas o suficiente para conseguir a virada. Os episódios nos quais criticou Flávio pela expressão “nove dedos” e introduziu a mãe de Ana Clara, presente na plateia, foram considerados pontos altos do presidente no programa.

O próprio Lula reconheceu, em conversas, que seu ponto fraco foi a troca da palavra milícia por polícia, ao dizer que “acabaria com a polícia” em eventual novo mandato.

Petistas já apostavam no impacto das mobilizações de rua pelo país, intensificadas nesta última etapa da disputa. O otimismo de aliados do presidente aumentou também após a pesquisa Datafolha da última quinta-feira (22) ter mostrado empate entre o senador e o presidente.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail