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Por Paulo Ricardo Martins

(Folhapress) – Enquanto o carro voador desenvolvido pela Eve, da Embraer, ainda não tem autorização para entrar em operação, a fabricante prevê avanço nos testes nos próximos meses, e a Revo, empresa que já tem pedidos da aeronave, prepara as rotas e o sistema que serão usados nos voos do eVtol (sigla para veículos elétricos de pouso e decolagem vertical).

A Revo, que atua com voos de helicópteros, quer ser capaz de operar os eVtols da Eve nos próximos 18 meses, segundo o CEO da empresa, João Welsh. Isso não significa, no entanto, que o veículo decolará já no próximo ano.

O executivo diz que isso dependerá da entrega das aeronaves, que, por sua vez, só será feita depois que a Eve obtiver a certificação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Em 2025, a Revo assinou contrato para a aquisição de 50 aeronaves da Eve.

Welsh afirma que, neste ano, a empresa vai acelerar a entrada da tecnologia em seu ecossistema com treinamento de mecânicos, pilotos, preparação de hangares, entre outras otimizações.

De acordo com executivo, a Revo vem estudando rotas que ligam pontos como o bairro Alphaville, em Barueri, a avenida Faria Lima (centro financeiro de São Paulo), o aeroporto de Guarulhos e a zona sul da capital paulista.

Carro voador da Embraer, Eve Air faz primeiro voo no Brasil • EVE Air/Divulgação
Carro voador da Embraer, Eve Air faz primeiro voo no Brasil. (Foto: EVE Air/Divulgação)

Welsh projeta que as passagens de eVtol serão cerca de 20% a 30% mais baratas do que os bilhetes de helicóptero. O valor, no entanto, ainda é incerto, diz.

“Tudo varia muito rápido no mundo atual. Tem variáveis em jogo, mas, olhando friamente para a tecnologia, o potencial dela é grande. Entre 20% e 30% são números razoáveis, e até pode ser mais, se tudo der certo.”

Hoje, uma passagem de helicóptero da Revo entre Alphaville e São Paulo custa R$ 1.100, e de Alphaville para o aeroporto de Guarulhos custa R$ 1.000.

Depois de alguns adiamentos, a Eve prevê que os eVtols começarão a ser entregues em 2028.

“De fato é uma mudança de data, mas eu enxergo isso como um resultado do progresso. Aqueles 59 voos, 2 horas e 27 minutos acumulados, vai ser mais ainda, vão ser centenas de voos até o fim do ano”, diz Johann Bordais, CEO da Eve, à Folha.

A empresa concluiu em maio a etapa de voos pairados e de baixa velocidade com o protótipo de engenharia. Esse ainda não é modelo que será entregue às clientes depois da certificação.

Segundo a empresa, foram 59 voos bem-sucedidos, com 2h27min33s acumulados.

A Eve dará início nos próximos dois meses à fase de transição, na qual a aeronave faz a mudança do voo vertical para o horizontal e passa a ser sustentada por meio da asa e do propulsor, assim como um avião.

Ainda em fase pré-operacional, a Eve ampliou o prejuízo em 41% no primeiro trimestre, chegando a um déficit de US$ 68,8 milhões.

Bordais afirma que a empresa tem gastado o dinheiro de maneira cautelosa. Uma das estratégias, segundo ele, é não levar a aeronave a todas as feiras do setor, para evitar o custo de deslocamento.

“Acho que isso está progredindo. Inclusive é por isso que a gente está tomando um pouco mais de tempo para fazer a aeronave. A carteira de pedido e de pré-pedido é a maior de todos os fabricantes de eVtols, com mais de 2.700 aeronaves”, diz o executivo.

Roberto José Silveira Honorato, diretor da Anac, diz que não é possível cravar 2028 como ano para a certificação do eVtol da Eve. Segundo ele, esta é a primeira vez que a agência certifica uma aeronave de porte médio com motores elétricos.

Honorato explica que a agência já definiu requisitos aplicáveis ao eVtol e está finalizando a segunda fase da certificação, na qual a fabricante explica ao órgão como fará para cumprir os requisitos.

Depois disso há mais três fases: recebimento de relatórios e cálculos; resposta da Anac aos documentos fornecidos pela fabricante; e revisão de todo o processo, com possível aval para a operação das aeronaves.

“É um processo natural, ainda mais falando de nova tecnologia. Por exemplo, é um motor totalmente novo, elétrico. Tem bateria, tem muita coisa nova embarcada. Esse prazo não está muito diferente assim dos congêneres [órgãos reguladores de outros países]”, afirma.

 

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