Polícia tenta cumprir mandado e encontra casa de Hytalo Santos vazia, com máquina de lavar ligada

Influenciador é investigado sob suspeita de explorar crianças e adolescentes
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(Folhapress) – Oficiais estiveram na casa do influenciador Hytalo Santos nesta quarta-feira, por ordem da Justiça, e encontraram a residência vazia, trancada e com uma máquina de lavar ainda funcionando, além de objetos infantis espalhados. Assim, o mandado não foi cumprido.

A Folha de S.Paulo apurou que a suspeita é que a informação da busca e apreensão teria vazado, dando tempo assim para que os objetos alvos da investigação tenham sido levados por Hytalo ou pessoas ligadas a ele.

Ele é investigado pelo Ministério Público paraibano desde o ano passado sob suspeita de exploração de crianças e adolescentes. Em nota encaminhada à CNN, ele afirmou repudiar as acusações. Também disse que sua trajetória pessoal e profissional sempre foi guiada pelo compromisso inabalável com a proteção de crianças e adolescentes.

“Esclareço que jamais me ocultei ou obstruí investigações. Estou em viagem a São Paulo há mais de um mês e permaneço, desde o início, à disposição das autoridades para todo e qualquer esclarecimento, confiando que a verdade prevalecerá sobre qualquer tentativa de distorção.”

O juíz Adhailton Lacet Correia Porto, da 1ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de João Pessoa, afirmou que o objetivo da ação era para apreender celulares e aparelhos eletrônicos.

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Hytalo Santos em entrevista ao PodCats (Foto: Reprodução)

“Quando os oficiais chegaram no local, encontraram a casa fechada. Eles receberam a informação que pouco tempo antes, um carro saiu da casa carregado de objetos. Porém, não podemos precisar se estes objetos eram os mesmos equipamentos que seriam apreendidos”, disse o juiz.

Agora, o magistrado vai aguardar que o influenciador seja citado e se defenda no prazo de dez dias. “O que informamos é que o território para defesa não é mídia social. Ele tem que se defender dentro do processo.”

Além do pedido de busca e apreensão, também foi solicitada a retirada do ar de todos os perfis nas plataformas de Hytalo. “Eram [vídeos] muito degradantes para as crianças”, disse o juiz Adhailton. As contas do TikTok e Instagram não estão mais ativas. O canal de Hytalo no YouTube segue ativo, mas os vídeos não aparecem mais públicos.

Na decisão, o magistrado também ordenou um estudo psicossocial com os adolescentes envolvidos a fim de verificar a necessidade de aplicação de medidas protetivas e a realização da escuta especializada dos adolescentes.

“O presente caso exige uma intervenção judicial urgente e enérgica, em nome da proteção integral de crianças e adolescentes, princípio basilar do nosso ordenamento jurídico”, disse Adhailton, acrescentando haver indícios contundentes de violações graves aos direitos fundamentais de crianças e adolescentes.

O juiz afirmou que a situação apresentada demonstra a exploração de imagens de jovens para fins de monetização, além de exposição a conteúdos inadequados e a um ambiente de vulnerabilidade, bem como a possível prática de ilícitos penais, como a incitação à pornografia infantil e o fornecimento de bebida alcoólica.

“É inaceitável que a busca por engajamento e lucro se sobreponha à dignidade e integridade física, psíquica e moral dos adolescentes”, escreveu.

Entenda o caso de Hytalo

O caso viralizou após o youtuber Felca, em vídeo intitulado “Adultização”, denunciar cenas de suposta exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais.

Hytalo promovia vídeos com adolescentes que envolvem dinâmicas em que os jovens se beijam, frequentam festas com consumo de bebidas alcoólicas e aparecem em danças sensuais. No vídeo, Felca afirmou que o influenciador lucra com a sexualização juvenil.

Em outras ocasiões, ele já se defendeu sobre a investigação do Ministério Público pelas redes sociais e afirmou que mantém uma família não tradicional. “O pessoal aqui de casa é como se fosse uma família. Mas o pessoal não nos vê como família porque não somos uma família padrão ou tradicional”, diz ele.

Ele ainda descreve que se trata de “uma ligação de muito amor e muito afeto”. “A gente vai lá [à Promotoria] e explica tudo. As mães dos emancipados vão lá, dão a versão delas, como nos conhecemos, como essa família se constituiu.”

A Folha de S.Paulo apurou que Hytalo alega às autoridades que os pais autorizam que ele tenha tutela dessas crianças e adolescentes. Ele afirma ainda que os matricula em escolas particulares e arca com os gastos educacionais e, em troca, produz os conteúdos para redes sociais. Hoje, apenas duas adolescentes viveriam com ele.

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