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Estudo revela que 8 de cada 10 pessoas assassinadas no Brasil são negras

Atlas da Violência mostra que taxa de mortes de negros, em 2021, era o triplo do registrado entre o resto da população
6 de dezembro de 2023

O Atlas da Violência, publicado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que 8 em cada 10 vítimas de homicídio no Brasil em 2021 eram negras. A taxa de mortes neste grupo, no período, era o triplo do registrado entre o resto da população.

Dos 47,8 mil mortos naquele ano, 79% eram negros, considerando a soma de pretos e pardos, segundo a classificação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em relação a 2020, o número de negros assassinados caiu 3,5% — 36.922 casos em 2021, contra 38.274 no ano anterior. A diminuição é menor do que no total da população, que teve queda de 4,1%.

O Atlas da Violência reúne dados para identificar quem são os mortos no país e quais as violências sofridas pelos diferentes grupos da população. m 2021, segundo a publicação, a taxa de homicídios chegou a 31 casos a cada 100 mil habitantes negros, contra 10,8 casos de não negros (soma de amarelos, brancos e indígenas).

Os dados do Atlas confirmam outros estudos, que apontam a população negra como principal vítima da violência no Brasil. O Anuário da Segurança Pública de 2023, por exemplo, aponta que 76,9% das mortes violentas intencionais neste ano no país foram de pessoas negras.

POR ESTADOS

O Amapá, com o dobro da nacional (60,7), a Bahia (55,7) e Rio Grande do Norte (48,9) apresentam as maiores taxas. Na outra ponta estão São Paulo (8,1), Santa Catarina (13) e Minas Gerais (14,9).

Ainda, as pessoas negras são menos da metade dos mortos apenas no Rio Grande do Sul (24%), em Santa Catarina (25%), Paraná (40%) —que havia registrado 29% em 2019— e São Paulo (49%).

OUTRAS MINORIAS

O estudo também abordou a violência contra idosos, que saltaram 170% de 2011 a 2021, com destaque para os aumentos em Sergipe (1.479,6%), Ceará (1.025,5%) e Pará (1.015,4%).

Os números sobre a população LGBTQIA+  revelam um aumento de 9,5% na violência física e de 20,4% de violência psicológica contra pessoas trans e travestis entre 2020 e 2021. A faixa etária mais frequente (45%) nos registros de violência tem de 15 a 29 anos. Pessoas negras são a maioria entre os grupos de orientação (heterossexual, homossexual ou bissexual) e de gênero (travesti, trans mulher e trans homem).

A taxa de homicídios de indígenas chegou a 19,2 casos por 100 mil habitantes em 2021, um aumento em relação a do ano anterior, de 18,8.

 

 

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