EUA mapeiam minérios raros no Brasil e costuram aliança contra China

Reunião convocada por Trump com cerca de 20 aliados tem objetivo de isolar a China e criar sistema internacional de preços. Brasil ainda não confirmou presença
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O governo de Donald Trump nos EUA convocou alguns dos seus principais aliados e economistas de peso para uma reunião sobre terras raras em Washington com o objetivo de construir uma aliança contra a China. O Brasil ainda não confirmou sua participação, ainda que tenha sido convidado. Enquanto isso, a diplomacia americana se lança na identificação das reservas de minérios estratégicos em território nacional.

Nesta quarta-feira, cerca de 20 países estarão na Casa Branca em um encontro que será liderado pelo chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio. O objetivo é anunciar a criação de um mecanismo que estabeleça um preço mínimo de importação para o comércio de terras raras, assim como deixar as portas abertas para legitimar a imposição eventual de tarifas.

Com isso, a medida tende a proteger as refinarias e extrativistas de minerais de terras raras, coordenando os maiores importadores.

Diante da histórica queda de preços praticada pelos produtores chineses, o acesso às terras raras tem sido uma área de crescente preocupação desde que a China impôs, no ano passado, um regime de licenciamento de exportação que ameaçava cortar o acesso a esses minerais.

Com o sistema de um preço mínimo, a aliança costurada pelos EUA espera pressionar a China e impedir que ela determine o preço global dos minérios considerados como estratégicos.

Entre os convidados para a reunião estão os países do G7, além de Coreia do Sul, Austrália, índia e outros grandes mercados.

Fontes diplomáticas indicaram que houve uma intenção dos EUA de chamar o Brasil. Mas o chanceler Mauro Vieira teria outros compromissos nesta semana e não poderá estar. O governo Lula ainda consulta com os americanos de que forma a participação brasileira poderia ocorrer. Não se descarta que a Argentina, porém, possa fazer parte.

Membros do Departamento de Estado norte-americano relatam ainda que estão tendo dificuldades para ter acesso aos tomadores de decisão, principalmente no Ministério de Minas e Energia, para consolidar uma agenda sobre o tema de terras raras.

O governo Trump, porém, não irá aguardar o Palácio do Planalto para buscar parcerias. Segundo o ICL Notícias apurou, contatos estão sendo feitos entre diplomatas americanos e governos estaduais, como o de Minas Gerais e Goiás.

A busca por um mapeamento de onde existiriam reservas importantes e atores que poderiam estabelecer um diálogo também foi iniciada.

O trabalho de identificação não ocorre por acaso. Entre novembro e dezembro, o governo Trump estabeleceu que o setor de terras raras deveria ser tratado como estratégico para sua defesa nacional. Em documentos, a Casa Branca ainda instruiu a CIA a mapear na América Latina onde estariam as reservas de recursos naturais que poderiam ser vitais para os EUA nas próximas décadas.

No Palácio do Planalto, a expectativa do governo Lula é de que o tema de terras raras entre na agenda bilateral do encontro entre os dois líderes, em março em Washington. Mas será um assunto que será incluído pelo lado americano.

A estratégia do Brasil, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin já revelou a interlocutores, é a de deixar esse setor estratégico para o final de uma negociação entre Lula e Trump.

Brasília sabe que tem um trunfo nas mãos e entende o interesse dos EUA em buscar alternativas ao fornecimento de minérios críticos da China. Mas não quer trocar esse acesso por uma normalização da relação, principalmente por conta de uma crise que foi “inventada” pela Casa Branca para, agora, obter benefícios.

A retirada de tarifas contra produtos brasileiros ou sanções precisa ocorrer, na avaliação do governo, dentro de uma barganha que não envolva entregar “as joias da coroa”, no caso as reservas de terras raras.

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